Misticismo, Ocultismo, História Secreta, Magia, Psicurgia, Teurgia, Teose, Iniciação

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27 de fevereiro de 2017

O Livro Perdido de Dzyan

O LIVRO PERDIDO DE DZYAN
Em "A DOUTRINA SECRETA"
Volume I – Cosmogênese

De Helena P. Blavatsky


(...) O Livro de Dzyan (ou “Dzan”) é completamente desconhecido dos nossos filólogos, ou, pelo menos, eles nunca ouviram falar dele com este nome. Isso, naturalmente, é um grande obstáculo para aqueles que seguem os métodos de pesquisa recomendados pela Ciência oficial; mas para os estudantes de Ocultismo e para todo Ocultista legítimo o fato terá pouca importância. A maior parte das Doutrinas divulgadas está espalhada por centenas e milhares de manuscritos sânscritos, alguns já traduzidos - e desfigurados como de costume em suas interpretações -; outros ainda esperando por sua vez. Todo estudioso tem, portanto, a possibilidade de verificar as afirmativas feitas aqui e de testar a maior parte das citações. Será difícil localizar a origem das referências a alguns fatos novos (novos apenas para o orientalista profano), e de algumas passagens reproduzidas dos Comentários. Além disso, vários dos ensinamentos foram transmitidos até agora oralmente; no entanto, mesmo estes são, todos, mencionados indiretamente nos volumes quase incontáveis das literaturas sagradas dos templos bramânicos, chineses e tibetanos.

Em todo caso, e sejam quais forem as críticas malévolas a serem feitas contra a redatora desta obra, há um fato inegável. Os membros de várias escolas esotéricas, cuja sede central está além dos Himalaias, e cujas ramificações podem ser encontradas na China, no Japão, na Índia, no Tibete e mesmo na Síria, além da América do Sul, afirmam ter em sua posse a soma total das obras sagradas e filosóficas, em volumes manuscritos e impressos; todas as obras, de fato, que já foram escritas, em quaisquer idiomas ou caracteres, desde que começou a arte de escrever, incluindo os hieróglifos ideográficos, o alfabeto de Cadmo e o Devanagari.

Tem sido afirmado ao longo do tempo que desde a destruição da Biblioteca de Alexandria cada uma das obras cujo conteúdo poderia levar o profano a uma descoberta e uma compreensão nítidas de alguns dos mistérios da Ciência Secreta foi cuidadosamente localizado, graças aos esforços combinados dos membros das Fraternidades. Aqueles que sabem acrescentam, além disso, que, uma vez localizadas, três cópias de cada obra foram deixadas de lado e guardadas em segurança, e todas as outras foram destruídas. Na Índia, os últimos manuscritos preciosos foram reunidos e ocultados durante o reinado do imperador Akbar.

Afirma-se, além disso, que cada um dos livros sagrados desta categoria, cujo texto não estava suficientemente velado através de simbolismos, ou que fazia qualquer referência direta aos mistérios da antiguidade, foi cuidadosamente copiado em caracteres criptográficos, de modo a impossibilitar a sua leitura por parte até mesmo dos melhores e mais inteligentes paleógrafos, sendo depois também destruído até a última cópia. Durante o reinado de Akbar, alguns fanáticos membros da corte, descontentes com o interesse pecaminoso do imperador por investigar a religião dos infiéis, ajudaram, eles próprios, aos brâmanes no esforço de ocultar os seus manuscritos. Entre eles estava Badáoni, que sentia um horror indisfarçável diante da mania de Akbar em relação às religiões idólatras.

Além disso, em todas as lamaserías grandes e ricas há galerias subterrâneas e bibliotecas em cavernas, cortadas na rocha, sempre que o gonpa e o lhakhang estão situados em montanhas. Mais além do Tsaydam ocidental, nas passagens solitárias de Kuen-lun, há vários locais ocultos com estas características. Ao longo da cordilheira de Altyn-Toga, cujo solo nenhum europeu jamais pisou até o momento, há uma certa aldeia perdida em um profundo desfiladeiro. É um pequeno agrupamento de casas, mais uma vila do que um monastério, com um templo de aparência pobre, e um velho lama, um eremita, que vive perto para cuidar dele. Os peregrinos dizem que as galerias e salões subterrâneos sob a aldeia contêm uma coleção de livros cujo número, de acordo com os informes dados, é tão grande que eles não poderiam ser alojados nem mesmo no Museu Britânico.

(...)

(Trecho extraído da Introdução de "A Doutrina Secreta" - Volume I - Cosmogênese)


~ ~ ~ 


AS DOZE ESTÂNCIAS DA ANTROPOGÊNESE
Trecho Inicial do Volume II de “A Doutrina Secreta”
(pp. 15-21 na edição original em inglês)

A ANTROPOGÊNESE NO VOLUME SECRETO
(Trechos Textuais)

I

1. O Lha que faz girar a quarta é servidor do Lha dos Sete, eles fazem a volta guiando suas carruagens ao redor do seu Senhor, o Olho Único. Seu alento deu vida aos Sete; deu vida ao primeiro. 

2. A Terra disse: - “Senhor da Face Brilhante; minha casa está vazia… envia teus filhos para povoar esta roda. Tu mandaste teus sete filhos para o Senhor da Sabedoria. Ele te vê sete vezes mais perto de si, te sente sete vezes mais. Proibiste aos teus servidores, os pequenos anéis, de pegarem tua luz e teu calor e de interceptarem a tua grande generosidade ao passar. Envia-os agora à tua serva.” 

3. O “Senhor da Face Brilhante” disse: “Eu te enviarei um fogo quando teu trabalho tiver começado. Ergue tua voz até outros Lokas; pede a teu pai, o Senhor do Lótus, pelos filhos dele… A tua gente estará sob a direção dos Pais. Os teus homens serão mortais. Os homens dos Senhor da Sabedoria são imortais, os Filhos Lunares, não. Pára de reclamar. Tuas sete peles ainda estão sobre ti… Tu não estás pronta. Teus homens não estão prontos.”

4. Depois de grande sofrimentos ela desembaraçou-se de suas três peles velhas e vestiu suas sete novas peles, e permaneceu na sua primeira.

II

5. A roda girou durante mais 300 milhões. Ela construiu rupas: pedras suaves que endureceram; plantas duras que se tornaram suaves. O visível do invisível, insetos e as vidas pequenas. Ela os sacudia do seu dorso sempre que eles devastavam a mãe. Depois de 300 milhões ela se tornou redonda. Ela se inclina sobre as suas costas, de lado… Ela não queria chamar nenhum filho do Céu, não solicitava nenhum filho da Sabedoria. Ela criava do seu próprio seio. Ela produziu homens-aquáticos, terríveis e maus.

6. Ela própria criou os homens-aquáticos terríveis e maus a partir dos restos de outros, formou-os com a escória e o lodo dos seus primeiros, segundos e terceiros. Os Dhyanis vieram e olharam; os Dhyanis vieram do claro Pai-Mãe, das regiões brancas, da moradia dos mortais imortais.

7. Eles ficaram descontentes. Nossa carne não está lá. Não há rupas adequados para nossos irmãos da quinta. Não há moradias para as vidas. Eles devem beber águas puras, e não turvas. Vamos secá-las. 

8. As chamas vieram. Os fogos com as centelhas; os fogos da noite e os fogos do dia. Eles secaram as águas turvas e escuras. Com seu calor as extinguiram. Vieram os Lhas do Alto e os Lhamayin de Abaixo. Eles mataram as formas que tinham duas e quatro faces. Lutaram contra os homens-cabra, contra os homens com cabeça de cachorro e contra os homens com corpo de peixe.

9. A mãe-água, o grande mar, chorou. Ela ergueu-se e desapareceu na lua que a havia elevado, que lhe havia dado nascimento.

10. Quando eles foram destruídos, a Mãe-terra ficou sem nada. Ela pediu para ser secada.

III

11. O Senhor dos Senhores veio. Ele separou do corpo dela as águas, e aquilo foi o Céu acima, o primeiro Céu.

12. Os grandes Chohans chamaram os Senhores da Lua, dos corpos aéreos. “Produzam homens, homens da sua natureza, deem a eles as suas formas internas. Ela construirá a cobertura por fora. Eles serão masculino-femininos. Também Senhores da Chama…”

13. Cada um deles foi para o território que lhe foi destinado; eram sete, cada um na sua área. Os Senhores da Chama permaneceram atrás. Eles não queriam vir, não queriam criar.

IV

14. As Sete Hostes, os “Senhores Nascidos-pela-Vontade”, movidos pelo Espírito da Doação de Vida, separaram os homens de si, cada um na sua própria região.

15. Nasceram sete vezes sete Sombras de homens futuros, cada homem com sua cor e seu tipo. Cada um inferior a seu pai. Os pais, os sem ossos, não podiam dar vida a seres dotados de ossos. Seus descendentes eram Bhuta, sem forma e sem mente. Por isso eram chamados de Chhaya.

16. Como nascem os Manushya? Os Manus com mentes, como são feitos? Os pais chamaram, para ajudá-los, o seu próprio fogo, que é o fogo que queima na Terra. O Espírito da Terra chamou em sua ajuda o Fogo Solar. Com seus esforços conjuntos, estes três produziram um bom Rupa. Ele podia ficar em pé, caminhar, correr, reclinar-se, ou voar. Porém ele ainda era um Chhaya, uma sombra destituída de sentidos…

17. O Alento precisava de uma forma; os Pais a deram. O Alento precisava de um corpo denso; a Terra o moldou. O Alento necessitava do Espírito da Vida; os Lhas Solares o colocaram, com sua respiração, na sua forma. O Alento necessitava um Espelho do seu Corpo; “Nós demos a ele o nosso próprio”, disseram os Dhyanis. O Alento necessitava um Veículo de Desejos; “Ele o tem”, disse o Drenador das Águas. Mas o Alento necessita de uma mente capaz de abarcar o Universo; “Não podemos dar isso”, disseram os Pais. “Nunca tive isso”, disse o Espírito da Terra. “A Forma seria destruída se eu lhe desse a minha”, disse o Grande Fogo… O homem permaneceu sendo um Bhuta, vazio e sem sentidos… Assim os sem-ossos deram vida a aqueles que se tornaram homens com ossos na terceira.

V

18. Os primeiros eram os filhos da Ioga. Seus filhos, os filhos do Pai Amarelo e da Mãe Branca.

19. A Segunda Raça foi produto da gemação e da expansão, a assexuada que surgiu da sem-sexo. Assim, ó Lanu, surgiu a Segunda Raça.

20. Seus pais eram Autonascidos. Os Autonascidos, os Chhayas surgidos dos corpos luminosos dos Senhores, os Pais, os Filhos do Crepúsculo.

21. Quando a Raça envelheceu, as águas antigas misturaram-se com as mais recentes. Quando suas gotas ficaram turvas, elas se desfizeram e desapareceram na nova corrente, a corrente quente da vida. O externo da primeira tornou-se o interno da segunda. A velha Asa tornou-se a nova Sombra, e a Sombra da Asa.

VI

22. Então a segunda produziu os nascidos-de-Ovos, a Terceira. O suor cresceu, suas gotas cresceram, se tornaram firmes e redondas. O sol o aqueceu; a Lua o esfriou e lhe deu forma; o vento o alimentou até o seu amadurecimento. O cisne branco do firmamento estrelado protegia a grande gota. O ovo da raça futura, o Homem-cisne da terceira posterior. Primeiro, masculino-feminino, depois homem e mulher.

23. Os Autonascidos eram os Chhayas: as sombras surgidas dos corpos dos Filhos do Crepúsculo.

VII

24. Os Filhos da Sabedoria, os Filhos da Noite, prontos para o renascimento, desceram. Viram as formas vis da Primeira Terceira. “Podemos escolher”, disseram os Senhores, “temos sabedoria”. Alguns entraram nos Chhayas. Alguns projetaram a centelha. Alguns postergaram até a Quarta. Com o seu próprio Rupa encheram Kama. Aqueles que entraram se tornaram Arhats. Aqueles que só receberam uma centelha permaneceram destituídos de conhecimento; a centelha queimava com pouca força. A terceira permaneceu sem mente. Os Jivas deles não estavam preparados. Estes foram colocados à parte entre os sete. Eles passaram a ter cabeças estreitas. Os terceiros estavam prontos. “Vamos habitar estes”, disseram os Senhores da Chama.

25. Como agiram os Manâsa, os Filhos da Sabedoria? Eles rejeitaram os Autonascidos. Eles não estão prontos. Eles rejeitaram os nascidos-por-Suor. Eles não estão bem prontos. Eles não queriam entrar nos primeiros nascidos-de-Ovos.

26. Quando os nascidos-por-Suor produziram os nascidos-de-Ovos, os duplos e os poderosos, os poderosos com ossos, os Senhores da Sabedoria disseram: “Agora nós vamos criar.”

27. A Terceira Raça se tornou o Vahan dos Senhores da Sabedoria. Ela criou os “Filhos da Vontade e da Ioga”, criou-os por Kriyasakti, eles, os Pais Sagrados, os ancestrais dos Arhats.

VIII

28. Das gotas de suor, do resíduo da substância, da matéria procedente dos cadáveres dos homens e dos animais da roda anterior, e do pó jogado fora, foram produzidos os primeiros animais. 

29. Animais com ossos, dragões do abismo e Sarpas voadoras foram acrescentados aos seres que rastejam. Os que rastejam pelo solo obtiveram asas. Os aquáticos de pescoço longo foram os ancestrais das aves do ar.

30. Durante a Terceira Raça, os animais sem ossos cresceram e mudaram: eles se tornaram animais com ossos, os seus Chhayas se tornaram sólidos.

31. Os animais foram os primeiros a se separarem. Eles começaram a procriar. Também o homem duplo se separou. Ele disse: “Façamos como eles; unamo-nos e procriemos.” E assim fizeram.

32. E aqueles que não tinham centelha tomaram para si enormes fêmeas animais. Geraram raças mudas. Eles próprios eram mudos. Mas as suas línguas se soltaram. As línguas da sua prole permaneceram mudas. Procriaram monstros. Uma raça de monstros encurvados, cobertos de cabelos vermelhos, andando em quatro patas. Uma raça muda para que a vergonha não fosse narrada.

IX

33. Ao verem isso, os Lhas, que não tinham construído os homens, choraram, dizendo:

34. “Os Amanasas degradaram nossas habitações futuras. Isto é Carma. Usemos as outras habitações. Devemos ensinar-lhes melhor, para evitar que ocorra o pior.” Eles fizeram…

35. Então todos os homens foram dotados de Manas. Eles viram o pecado dos que não tinham mente. 

36. A Quarta Raça desenvolveu a fala.

37. O Um se converteu em Dois; também todos os seres vivos e rastejantes que ainda eram uma unidade; peixes-pássaros gigantescos e serpentes de cabeças com carapaças.

X

38. Assim, de dois em dois, nas sete regiões, a Terceira Raça deu nascimento aos homens da Quarta Raça; os deuses se converteram em não-deuses; os suras se tornaram a-suras.

39. A primeira, em todas as regiões, tinha a cor da lua; a segunda era amarela como ouro; a terceira, vermelha; a quarta, castanha, que se tornou preta pelo pecado. As primeiras sete ramificações humanas eram todas da mesma cor. As sete ramificações seguintes começaram a misturar-se. 

40. Assim a Quarta chegou a ser alta devido ao orgulho. Disseram: “Nós somos os reis, nós somos os deuses.”

41. Tomaram esposas lindas ao olhar. Esposas vindas dos que não tinham mentes, os de cabeça estreita. Criaram monstros. Demônios maldosos, masculinos e femininos, também Khado (Dakini), de mentes pequenas.

42. Construíram templos para o corpo humano. Adoraram o masculino e o feminino. Então o Terceiro Olho deixou de funcionar.

XI

43. Eles construíram cidades enormes. Construíram com terras e metais raros, e com base nos fogos expelidos, na pedra branca das montanhas e na pedra negra, eles talharam suas próprias imagens, conforme seu tamanho e semelhança, e as adoraram.

44. Construíram grandes imagens com altura de nove yatis, o tamanho dos seus corpos. Fogos internos haviam destruído a terra dos seus pais. A água ameaçava a quarta.

45. Vieram as primeiras grandes águas. Submergiram as sete grandes ilhas.

46. Todos os Sagrados foram salvos, os Não-sagrados, destruídos. Com eles, a maior parte dos animais gigantescos, produzidos do suor da terra.

XII

47. Poucos homens permaneceram: alguns amarelos, alguns castanhos e pretos, alguns vermelhos permaneceram. Os de cor da lua desapareceram para sempre.

48. A quinta, produzida da estirpe Sagrada, permaneceu; ela foi governada pelos primeiros Reis divinos.

49. Quem voltou a descer, quem estabeleceu a paz com a quinta, quem a ensinou e a instruiu...

~ ~ ~ 

Final das sete estâncias da Antropogênese, in: “A Doutrina Secreta”. V. 2. 

(Adaptação de Frater Lux Messor)

Nota de H. P. Blavatsky:
"Apresentamos aqui apenas 49, entre centenas de Slokas. Nem todos os versos são traduzidos literalmente. Às vezes, empregamos uma perífrase para que o texto seja claro e compreensível, em passagens em que uma tradução literal seria completamente ininteligível."

Fonte:

Sobre as Estâncias de Dzian:

30 de outubro de 2016

As Meias Verdades da Razão

A RAZÃO SEM O AMOR
Proporciona Somente Meias Verdades
*
(MARGUERITE PORETE)


Por ter escrito este livro: "O Espelho das Almas Simples e Aniquiladas e que Permanecem Somente na Vontade e no Desejo do Amor", a Beguina Belga MARGUERITE PORETE foi condenada à fogueira em 1310 pela Santa Inquisição. 

Reconhecida pelo trabalho altruísta junto aos pobres e doentes, seu longo e dramático processo de condenação sensibilizou a população de Paris, e levou às lágrimas muitos dos presentes à sua execução.

Após sua morte  seu livro circulou anonimamente durante séculos por toda a Europa, servindo de modelo de experiência místico-religiosa autêntica, inclusive em Mosteiros Católicos.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor


O Espelho das Almas Simples, acesse AQUI.

Sobre o movimento Beguino, acesse AQUI.

4 de abril de 2016

No Topo Deste Farol o Cristianismo Nasceu

Farol de Alexandria
(Ptolomeu II, Filadelfo - 279 a. C.)

CRISTIANISMO: Um processo de 700 anos, iniciado pelo Faraó Macedônio-Egípcio Ptolomeu Sóter (323 AEC) e consolidado pelo Imperador Romano Teodósio O Grande (380 EC).


NO TOPO DESTE FAROL

O CRISTIANISMO NASCEU


              
Com o esfacelamento do Império de Alexandre o Grande, duas forças antagônicas se formaram entre dois de seus Generais: Selêuco Nicátor, que iniciou a Dinastia Selêucida na Pérsia, e Ptolomeu Sóter, que iniciou a Dinastia Ptolomaica no Egito.

Assim, Selêucidas e Ptolomaicos passaram a disputar a Faixa Mediterrânea que incluia a Palestina, que ficava na fronteira entre ambos, cada um procurando estabelecer suas zonas de influência, colocando o Povo Judeu ora de um lado, ora do outro.

Sendo os Selêucidas Persas intolerantes com a religião, passaram a perseguir o Judaísmo; enquanto os Ptolomaicos Egípcios, tolerantes, passaram a incentivar a cultura e a Religião Judaica, tendo inclusive patrocinado a versão grega da Bíblia (Septuaginta).

Dessa maneira, o Egito tornou-se o berço de uma nova cultura que, reunindo Oriente e Ocidente em um todo Cosmopolita, criou a Civilização Helenística, tornando Alexandria o maior centro comercial, tecnológico, religioso, cultural e intelectual do período.

Assim, Alexandria passou a abrigar comerciantes, artesãos, sacerdotes, sábios e filósofos de todo o Mediterrâneo, inclusive Judeus, que lá encontraram refúgio, formando a maior comunidade judaica fora da Palestina, num imenso fervilhar de cultura e inovação.

Neste contexto a filosofia grega foi renovada com os Neoplatônicos e Neopitagóricos, e as Religiões Orientais, Egípcia e Judaica com os Hermetistas e Gnósticos, sincretizando todo o conhecimento dos Mistérios Antigos em um só Corpo Doutrinário: o Cristianismo.

Considerando essa hipótese, o processo de formação do Cristianismo, teria então durado cerca de 700 anos (entre os séculos IV AEC e V EC), corroborada pelos fatos a seguir, aparentemente desconexos, mas que poderão ser contundentes se vistos em conjunto:

I

JESUS (nome de homem) e CRISTO (título do ungido) fundiram-se em uma única personalidade religiosa entre os séculos I e IV EC, nas disputas cristológicas da Igreja Primitiva;

II

O nome JESUS é uma corruptela grega do nome hebraico YESHUE, muito comum na Palestina, e há registros históricos de vários rabinos com esse nome, mas nenhum que tenha criado uma nova seita judaica;

III

Há registros históricos, entre os séculos I AEC e I EC, de líderes proféticos bastante populares atuando na Judéia (alguns martirizados), entre eles: Simão o Mago, Honi Ha-Ma'agel, João Batista, Jesus de Ananias, Banus o Eremita, Eleazar o Exorcista, Hanina Ben Dosa, e Menahem o Essênio;

IV

Nos "Manuscritos do Mar Morto" (séc. I EC), que contém os rolos de Isaias mais antigos existente, verificou-se que o mesmo texto no Codex Aleppo (950 EC) contém pelo menos 1.500 alterações e acréscimos em relação ao original; provando que durante as incessantes cópias, durante séculos, houveram adulterações significativas nos textos antigos;

V

Na "Biblioteca de Nag Hammadí" (séc. III EC), há um texto hermético não-cristão chamado "Eugnosto, o Bem Aventurado", e outro texto com o mesmo conteúdo, chamado "A Sophia de Jesus Cristo"; porém, diferenciando-se do primeiro por incluir Cristo e seus discípulos na narrativa; o que sugere que muitos textos Gnósticos Cristãos tem como base textos pagãos (herméticos) mais antigos;

VI

As bases do Cristianismo já são encontradas em Alexandria, no Egito, a partir do século IV AEC, nas comunidades judaico-helenísticas dessa cidade, cuja evolução durante muitos séculos sincretizou em uma única doutrina as Filosofias Neoplatônica (Órfica) e Neopitagórica, as seitas Netzarim (Nazarenos), Terapeuta e Essênia, os Mitos Herméticos (Sérapis), Osirianos (Hórus), Zoroástricos (Mitra), Romanos (Apolo) e Cabalísticos (Messias);

VII

A construção do Cristianismo propriamente começou entre os séculos II e III EC com o Gnosticismo e a Patrística, e foi absorvido pelo Império Romano no século IV EC, por meio do culto ao "Solis Invictus", e instituído no século V EC na figura de "Iesu Christus", perpetuando o Império até nossos dias através da Igreja Romana.

• • •

Juntando-se essa poucas, porém cruciais pistas, podemos vislumbrar que conclusão podemos chegar? 

Será que estamos lidando com o maior mito de todos os tempos em que talvez, somente talvez, o Cristo tenha sido, e é não apenas um, mas muitos homens e mulheres, adeptos das Escolas de Mistérios da antiguidade, inspirados pela Obra da Luz?

E que os Evangelhos sejam na verdade um roteiro concebido pela nata espiritualista de Sábios Alexandrinos do Egito, que sintetiza todo o conhecimento pagão na figura de um maravilhoso mestre, que teria ensinado como podemos alcançar a vida eterna?

Para este assunto, delicadíssimo é de extrema complexidade, pois diz respeita à fé de milhões, que durante séculos norteou os destinos do Mundo Ocidental; faltam-nos a maior parte das peças deste maravilhoso quebra-cabeças, cuja historicidade é extremamente controversa.

À principio, até onde pudemos verificar, havia entre o Egito e a Palestina a seita judaica dos Netzarim (Vigilantes) que, a partir do séc. II AEC, passou a buscar sistematicamente candidatos para o Messias (homem divinizado); finalmente estabelecido na figura lendária de Ribi Yeshwe (Ben Yoseph) Ha-Mashiach, um rabino heterodoxo do séc. I EC, não confirmado historicamente.

Assim, é notável a semelhança das características peculiares de cada profeta popular judaico (registrado historicamente) com as características  de Jesus de Nazaré (cidade que não existia antes do séc. II EC), como a morte na cruz (Menahem o Essênio), retirada de demônios (Eleazar o Exorcista), ou curas milagrosas (Hanina Ben Dosa).

Porém, são os mitos que envolvem Apolônio (Crestus) de Tiana, notável filósofo grego de Éfeso, já fora do contexto judaico, que mais concorreu com os dons de Jesus descritos nos Evangelhos, como a capacidade de ressuscitar os mortos, durante os primórdios da Igreja Romana. Sendo talvez está semelhança, responsável pelo sucesso do Cristianismo no Mundo Grego, antes de Roma.

Ainda sobre a Seita Judaica dos Netzarim, estes se organizaram no séc. I EC em plena Roma, fazendo surgir uma Igreja Judaico-Roma, onde ficaram conhecidos como "Nazarenos"; os membros de uma "seita egípcia" que provocou certo tumulto entre escravos e minorias não romanas, de acordo com Suetônio em sua obra "A Vida dos Doze Césares".

Porém, estes foram suplantados a partir do séc. II EC por membros de outra Seita, porém de origem Grega da Ásia Menor, vinda de Éfeso e Antioquia, que ficaram conhecidos como "Cristãos"; os primeiros a organizar uma Igreja Romana (Católica) e estabelecer a historicidade do mito cristão, tendo por base Pedro.

Todavia, o verdadeiro fortalecimento da fé cristã está justamente na disputa entre pontos de vista muito diferentes sobre as fábulas de Jesus Cristo, entre a Igreja Católica de Roma e as Seitas Gnósticas (termo pejorativo usado pelos Patriarcas alinhados com Roma, como Irineu de Lion); entre elas, o Docetismo.

Esta Seita Gnóstica, que na verdade nunca foi uma seita organizada como igreja, negava a corporeidade de Jesus Cristo, afirmando apenas sua espiritualidade; uma corrente filosófica contrária à tese do "verbo feito carne", antes mesmo da intensificação das Disputas Cristológicas após o séc. II EC, que acabou estabelecida na União Hipostática do Concílio de Calcedônia, em 451 EC.

Finalmente, salientamos que a liturgia eucarística da Igreja Católica Romana foi tomada essencialmente dos Rituais Mitráicos, do séc. IV EC, trazido do Oriente pelas Legiões; quando a versão Romana, da já estabelecida Religião Cristã, era plenamente vitoriosa sobre as seitas Gnósticas, e se preparava para ser oficializada pelo Império Romano, levada a cabo por Teodósio I, o Grande, em 391 EC.

Lembramos ainda que o Gnosticismo sobreviveu nas "Igrejas Cristãs do Oriente" e, a partir do séc. XI EC, voltou a influenciar a Europa Ocidental, formando as várias vertentes do "Cristianismo Esotérico", que influenciou as Ordens Místicas às quais nós Iniciados fazemos parte, e que preservarmos de olhos profanos.

"Que o FAROL QUE NOS ILUMINA DESDE O ALTO, jamais deixe de nos mostrar o Caminho da Verdade."


Cum Lucis Mihi Vici


Frater Lux Messor

27 de dezembro de 2015

As Doze Etapas do Oculto ao Místico

Psiquê & Eros:
O Encontro da Alma com o Espírito, para Uma Nova Criação

As 12 Etapas do

OCULTO AO MÍSTICO


I
                  
As Ciência Oculta trata de despertar as faculdades superiores do homem, para que este perceba e assuma responsabilidade perante sua verdadeira situação em relação à natureza, a divindade, o universo e a si mesmo. O ocultista, procura pesquisar e compreender as forças invisíveis, visando controlá-las e dirigi-las conscientemente em favor da evolução, para que o bem maior da humanidade seja alcançado.

II
                  
Porém, o ocultista, é antes de tudo um teórico que, através de estudos como o Hermetismo, a Alquimia, a Astrologia e a Cabala, procura desvendar os mistérios invisíveis, para depois encontrar os meios de com eles atuar; contudo, são os "magistas", os operadores práticos dos fenômenos de manifestação das forças invisíveis que, para isso, utilizam-se da Magia, da Psicurgia e da Teurgia.

III
                  
O Ocultismo admite duas forças fundamentais aplicáveis à matéria: A primeira, cujo comando verbal é avrah k'davra, é a força involutiva de coesão, densificação, materialização, precipitação ou aglutinação; e a segunda, cujo comando é avadah k'davra, é a força evolutiva de dispersão, sutilização, espiritualização, projeção ou dissolução da matéria. Dessa maneira, a primeira aprisiona e a segunda liberta o Espírito.

IV
                  
Essas forças são aplicadas em diferentes Planos de Existência, que são estados de consciência que condicionam a percepção da realidade pelo ser humano. Enquanto o operador progride em suas habilidades, aprende a vivenciar múltiplas realidades, a fim de nelas atuar. Essas realidades, chamadas de Mundos Internos, vão muito além da percepção da pessoa humana comum.

V
                  
Magia (do Persa, Magi, "sabedoria") é a ciência que estuda os segredos ocultos da natureza e do homem, e o conjunto das práticas ritualísticas e cerimoniais para o domínio destes segredos. Essas práticas, através de evocações (rogas) ou conjurações (exigências) pretendem a manifestação das forças invisíveis, para que estas executem a vontade do operador, sejam elas involutivas ou evolutivas.

VI

As operações mágicas trabalham com os Planos Etérico e Astral, que abrigam as formas subjetivas sustentadas pela energia vital e formadas pelas emoções humanas que, uma vez iluminadas pela Luz Divina, projetam no Plano Físico as formas objetivas que preenchem a realidade humana, construindo todos os objetos, corpos físicos e fenômenos naturais.

VII
                  
Nesses Planos trabalha-se com os Elementais construtores das formas físicas, os Artificiais construídos pelos pensamentos humanos, e os Elementares (Sombras Astrais), provenientes da humanidade desencarnada desprovida da Alma. Todos esses seres seguem sempre a intenção do operador, seja qual for. Já a Assistência Superior nesses Planos provém dos Discípulos da Fraternidade Planetária.

VIII
                  
Psicurgia (do Grego, Psiquê e Ergein, "obra da alma"), é a arte que estuda os segredos ocultos da Alma,seja ela de natureza humana ou não, seu relacionamento com o homem e com Deus, e é também o conjunto das práticas ritualísticas e cerimoniais utilizadas tanto para atrair a Alma, para que atue na realidade humana, quanto para elevar o homem para o nível de consciência da Alma.

IX
                  
A "Operações Psicúrgicas" trabalham com os Planos Mental e Causal, que abrigam as idéias e conceitos dos pensamentos arquetípicos da humanidade. Fazem parte desses Planos os Devas (elementais construtores dos pensamentos), as Almas Grupais dos animais, os Corpos Devacanicos dos humanos adormecidos, e a humanidade desperta na forma de Iniciados e Adeptos da Fraternidade Planetária.

X
                  
Teurgia (do Grego, Theoi e Ergein, "obra divina") é a arte de incorporar a força divina em objetos consagrados e no ser humano, visando a comunhão deste com Deus: mediante estudos, técnicas e cerimônias que evocam a presença de Entidades Espirituais Superiores, sejam Estas de natureza planetária ou cósmica, para que atuem nos Planos da realidade humana e na Alma do homem.

XI
                  
As "Operações Teúrgicas" trabalham com os Planos Espirituais Superiores, sejam terrestres ou celestiais, que abrigam os arquétipos divinos que sustentam a criação, procedem as Causas Primeiras e a Luz Divina. Fazem parte desses Planos os Choans, Budas, Mahadevas, Logos Planetários e Solares, Anjos, Arcanjos, Serafins e outros Grandes Seres da Hierarquia Divina, comprometidos com a humanidade.

XII
                  
Assim, o Ocultista age na natureza com a Magia e atrai a Alma a si com a Psicurgia; porém, Regenerado na Luz da Alma eleva-se à Ela, empreendendo não mais um trabalho OCULTO, e sim MÍSTICO. Então, com a Teurgia rende-se ao Pai Celeste, nasce como Filho de Deus na Pura Essência da Alma e reconcilia-se com Cristo-Lúcifer, reintegrando-se ao Espírito em busca d’O Absoluto. Amém.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

15 de fevereiro de 2015

Felix Natalis Solis

(1) Apollo Helios em El Djem, Tunisia; (2) Halo Solar em Bormio, Italia; (3) Gautama Buddha
(4) Quasar MC2 1635 119; (5) Eclipse Solar em 1999, França; (6) Galáxia Espiral NGC 4622
(7) Lord Krishna; (8) Galáxia Yellow Hoag; (9) Christo Pantocrator em Cefalu, Italia.

FELIX NATALIS SOLIS
Solis Nigri ad Solis Invicti 1


Toda boa resposta depende da formulação de uma boa pergunta, mesmo que estas sejam as mais surpreendentes possíveis. Assim avalio a maneira como O ESPÍRITO de DEUS me respondeu quando indaguei-lhe sobre "o que eu precisava saber" para acelerar meu processo de despertar. Foi então que, motivado em pesquisar o que há de mais secreto, deparei-me com os Irmão do Livre Espírito 2, os Amigos de Deus 3,  Meister Eckhart 4 e Os Sermões Alemães 5. Neste último, encontrei a compreensão sobre as relações entre o ser humano, a Alma e Deus, relações estas que faz nascer o Cristo na Unidade Eterna, brilhantemente descritas por Eckhart nas passagens que transcrevo a seguir:


"Hoje, mesmo vivendo dentro do tempo, celebramos o nascimento eterno no qual Deus Pai nasce
e incessantemente repete este ato de nascer na eternidade, por que este nascimento
do qual falamos é realizado nesta natureza humana e inserido no tempo." (...)

"Discorramos pois de tal nascimento, de como ele pode ser realizado em nós e como ocorre

na pessoa virtuosa sempre que Deus Pai fala a sua palavra eterna na alma perfeita.
Pois tudo aquilo que falarei aqui é para ser entendido do homem
purificado e estável que trilha os caminhos de Deus." (...)

"O Filho do Pai Celeste não nasce isolado nesta escuridão, que é Sua característica:

você também pode nascer como filho do mesmo Pai celestial
e a você também ele encherá de força."
[ Sermão Alemão 1, do dia de Natal ]

Tudo que nasce é devido a um processo criativo. Para Eckhart, Deus Pai nasce na natureza humana através da alma perfeita do homem purificado e estável, que emerge da escuridão pela graça de ouvir a palavra eterna proveniente do Deus Pai, tornando-se assim o próprio Filho do Pai Celeste.

“A pessoa só é Filho de Deus se possuir tudo aquilo que Deus e Seu Filho possuem. (...) Logo, Deus
não poderia ter me feito filho de Deus, se em mim não houvesse a natureza filial de Deus,
nem poderia Deus ter me feito sábio, se eu já não tivesse sabedoria."
[ Sermão Alemão 3 ]

"Quando a vontade se encontra de tal forma unida que ela forma um bloco único, então o Pai Celeste faz
com que nasça Seu Filho único em Si mesmo – dentro de mim. Porque eu estou unido a Ele.
Ele não pode me evitar, e nesta ação o Espírito Santo recebe Seu ser de mim
bem como de Deus. Porque eu me encontro em Deus."
[ Sermão Alemão 9 ]

“Uma vez me perguntaram o que fazia Deus nos céus. Eu disse, Ele está gerando seu Filho, um ato no qual (...)
Lhe é tão agradável, que Ele nada mais faz além de gerar Seu Filho (...). Quando o Pai gera Seu Filho
em mim, eu sou o mesmo Filho e não um outro: claro, somos diferentes em humanidade,
mas aqui eu sou o mesmo Filho e não um outro qualquer.”
[ Sermão Alemão 15 ]

Verificamos assim que esse nascimento ocorre no coração do homem, pois essa filiação é igual à paternidade, e ambas se justificam reciprocamente por si mesmas. Então, Eckhart explica como ocorre o ato criador de Deus na Alma humana, mantendo esta pura e virginal perante Deus, porém frutífera enquanto concebe o Filho na unidade Paterna em meio ao Espírito Santo:

“Há na alma um poder que não está ligado nem à matéria nem ao tempo, que flui e se mantém no espírito,
completamente espiritual. Neste poder Deus está se mostrando em toda alegria e glória que Ele é em
si mesmo. (...) Pois nesta força o Pai eterno está para todo o sempre concebendo seu Filho
eterno incessantemente, de tal forma que esta força concebe o Filho do Pai,
e também ao Filho mesmo, no poder único do Pai.”
[ Sermão Alemão 7 ]

"Uma virgem que já é mulher, está liberta e sem apego: está sempre tão próxima a Deus, quanto de si mesma.
Dá muitos e belos frutos, que são nem mais nem menos que Deus. Ali ela se torna frutífera, e participa
no ato da criação. Pois Jesus, que é a Luz e o esplendor do coração eterno, Jesus
se une à alma, e a alma à Jesus, brilhante com ele numa só unidade,
como uma só luz, pura e brilhante no coração paterno.”
[ Sermão Alemão 6 ]

“Deus em todas as suas obras tem um muito elevado fim em vista, ou seja, Ele mesmo. (...)
Para tal todas as obras de Deus são executadas; e por este motivo, também o Pai
faz nascer Seu Filho na alma, para que todas as forças da alma confluam
em direção a tal. Ele se queda esperando por tudo aquilo que a alma
contém, a todos convidando para a festa em Sua corte."
[ Sermão Alemão 2 ]

Então, eis que Eckhart completa o ciclo de criação, nascimento e unidade, onde o Pai concebe seu Filho, na reunião de todas as suas criaturas num ato de Amor eterno. A primeira resposta é a entrega de si a Deus na Unidade; a segunda, a atração amorosa de todas as criaturas para essa Unidade; e em terceiro, a confirmação da plenitude divina do Pai eterno enquanto faz nascer seu Filho Único, "Eu" e "Você", na Unidade:

"Meus caros amigos, que mal nos pode advir de deixar que Deus em nós entre? Saiamos pois
imediatamente de nós mesmos, por amor a Deus, e Deus prontamente de Si mesmo
sairá por nós! Quando estes dois partirem, o que terá restado é uno e simples.
Neste Uno, o Pai concebe Seu Filho em Sua mais íntima fonte."
[ Sermão Alemão 5 ]

"Pois de tal forma a Natureza Divina é agradável a Deus que Ele a projetou fora de Si, para atrair
os desejos naturais de todas as criaturas. (...) Ele procura atrair a todos de volta para
seu primeiro começo, que é o descanso. Deus ama a Si em todas as criaturas.
Desta forma Ele procura Seu próprio amor em todas as criaturas (...)."
[ Sermão Alemão 17 ]

"Deste Deus, o Pai eterno recebe a plenitude e profundidade de toda Sua divindade. (...)
Permanece sempre Uno, e continuamente se represa em si mesmo. “Ego”, a palavra “Eu”
a ninguém pode ser dirigida senão a Deus em Sua unidade. “Vós”, a palavra que
quer dizer “Você”, que é você na unidade, de forma que “ego” e “vós”,
eu e você, signifiquem uma só unidade.”
[ Sermão Alemão 12 ]

Assim, concebi dois esquemas que seguirão na próxima postagem: o primeiro, conceituando um ponto de vista com base na Teosofia e no Gnosticismo Cristão, onde o processo de Criação Divina (do Sol Negro) e até a apoteose Crística (do Sol Invencível), são descritos em um ciclo contínuo de sete fazes; e o segundo, sintetizando os ensinamentos de Eckhart, como descrito acima: "Minhas interpretações pessoais sobre a Natalidade do Cristo Sol  (e do mito do Homem Deus) presente secretamente em todas as Religiões e Escolas de Mistérios antigas, inclusive no que conhecemos por Cristianismo."


Felix Natalis Solis

(Feliz Nascimento Solar)


Frater Lux Messor
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1 O Aniversário do Sol – do Sol Negro ao Sol Invencível (tradução do Latim), de "Solis Invictus" – Título religioso originalmente identificado ao deus Mitra, introduzido em 270 d.C., pelo imperador Aureliano como culto oficial do Sol Invicto, fazendo do Deus Sol a primeira divindade do império. O culto continuou como base da religião oficial de Roma até o triunfo da cristandade. Antes da sua conversão, o imperador Constantino I tinha o Sol Invicto como a sua cunhagem oficial.

2 Irmãos do Livre Espírito – movimento leigo cristão dos séculos 13 e 14, ocorrido no norte da Europa, de características Antinomianas e individualistas, semelhante ao dos Amalricianos. Entrou em conflito com a Igreja Católica e foi declarado herético pelo Papa Clemente V no Concílio de Vienne (1311-1312). Suas idéias gerais seguem as de João Escoto Erígena (século IX), Joaquim de Fiore (século XII) e Amaury de Bene (falecido em 1207). Como outros movimentos da época, o Livre Espírito promoveu um ideal de pobreza mas no sentido de purificar o homem, ressuscitando nele o Cristo e assim sua capacidade de pecar, fazendo-o entrar numa era de "Livre Espirito" e bem-aventurança terrena. Segundo a Inquisição, seus seguidores passaram a fundir o espírito de caridade com o amor carnal, justificando assim a perseguição pela Igreja.

3 Amigos de Deus (em alemão: Gottesfreunde) – foi um grupo de leigos místicos medievais surgido entre 1339 e 1343 em Basileia, e relevante em Estrasburgo e Colónia (zonas sob o interdito papal que na época impedia a formação de novas Ordens Religiosas). Considerado o centro do Misticismo Alemão, foi liderado por Johann Tauler e Henry Suso, dois membros da Ordem Dominicana. Sob a liderança do leigo Rulman Merswin, a reputação do grupo junto à Igreja deteriorou-se rapidamente. Depois da sua morte, Nicolau de Basileia tornou-se seu líder e acabou queimado na fogueira em 1409, juntamente com outro proeminente membro, Martinho de Mainz, ambos acusados de heresia. Após o insidente, aparentemente o grupo desapareceu, absorvido pela Ordem dos Cavaleiros Teutônicos. O nome "Amigos de Deus" é em alusão ao Evangelho de São João 15:15: "Nãos mais vos chamarei servos, pois os servos não sabem o que faz o seu Senhor; mas vos chamarei amigos, pois que tudo o que ouvi de meu Pai eu vos ensinei."

4 Eckhart de Hochheim (nascido em 1260 em Tamback, na Turíngia) – mais conhecido como Meister Eckhart em reconhecimento ao título acadêmico obtido durante sua estada na Universidade de Paris, foi um frade dominicano, conhecido por suas obras com interpretações teológicas peculiares, proeminente pensador da filosofia medieval alemã dentro da corrente mística neo-platônica e agostiniana; acusado de heresia, sem contudo jamais ter saído de seus referenciais cristãos, reafirmou sua ortodoxia na sua defesa, sendo somente condenado após seu desaparecimento em Colonia, por volta de 1328. Cogita-se que passou a viver na clandestinidade tendo formando, juntamente com seus discípulos, os "Amigos de Deus".

5 Os Sermões Alemães (de Meister Eckhart) – tradução de Marcos Beltrão (textos na íntegra: acesse aqui).

Obs.: Base das notas de 1 a 4: Wikipedia.

29 de janeiro de 2015

Ave Gratia Plena

"A VIRGEM E OS ANJOS" ( Bouguereau, 1900)

AVE GRATIA PLENA, DOMINUS TECUM
Salve, ó cheia de graça, o Senhor está convosco (Lucas 1:28)

Por Meister Eckhart
(Sermão Alemão 24) 1 


Este texto que citei do latim pode ser encontrado no Evangelho Sagrado e quer dizer em português: "Salve a Ti, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!" O Espírito Santo descerá de cima, do mais elevado trono, e virá até ti proveniente da luz do Pai Eterno. Aqui, nós podemos compreender três coisas. A primeira delas é a humildade da natureza angélica, a segunda é que ele se sabia indigno de nomear a mãe de Deus, e o terceiro que ele não se diria tão somente a ela, mas a toda uma grande multidão, a saber, toda boa alma que deseja a Deus.

Agora eu digo que se Maria não tivesse em primeiro lugar dado à luz a Deus espiritualmente, não o teria o feito fisicamente também.

Uma certa mulher disse para Nosso Senhor: "Bem aventurado o ventre que te concebeu" (Lucas 11:27). Ao que Nosso Senhor replicou: "Bem aventurado não somente o ventre que Me concebeu: bem aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a seguem." É mais elevado que Deus nasça espiritualmente na virgem individual (leia-se aqui em toda boa alma) que fisicamente em Maria.

Com isso, devemos compreender que somos o filho único a quem o Pai está eternamente criando. Quando o Pai criou todas as criaturas, Ele criou a mim, e eu fui criado junto com todas as criaturas, enquanto que permanecendo dentro do Pai. É o que estou a dizer agora: primeiro nasce dentro de mim, então eu amadureço aquele estado, e em seguida eu o falo, e todos vocês o ouvem. E contudo isso está em mim e tempo todo. De forma semelhante, eu permaneço no Pai. No Pai é que estão as imagens primordiais de todas as criaturas. Este pedacinho de madeira que aqui está, tem em si uma imagem racional em Deua. Não apenas isto é racional, isto também é razão pura.

O maior bem que Deus jamais fez ao homem, foi Ele mesmo se tornar homem. (...)

(Trecho final):

"Quando Deus criou a alma, Ele a criou de acordo com Sua perfeitíssima natureza, de forma tal que ela pudesse ser a noiva de Seu Filho único, que sabendo muito bem disto, decidiu sair dos aposentos particulares de Sua paternidade eterna, onde Ele está perenemente dormindo quieto dentro de nós. No primeiro começo da pureza primordial, o Filho se colocou na tenda da divina glória eterna, e se adiantou a partir do mais sublime, de forma que pudesse elevar Seu amado, o Pai, com quem se casou para todo o sempre, e trazê-Lo de volta ao lugar onde se tinha originado. E em um outro lugar Ele diz: "Eis que teu rei está vindo até ti!" (Zach. 9:9). Por isto, ele se adiantou e veio exultante, como um jovem na força da idade, e sofreu as dores do amor. Ele não mais sairia, exceto se movido pelo desejo de retornar à sua câmara nupcial, junto de sua noiva. Esta câmara é a escuridão silenciosa da paternidade oculta. Quando Ele se adiantou desde o mais elevado, queria mostrar o mistério oculto de sua essência divina secreta, onde Ele se encontra em descanso consigo mesmo, e com todas as criaturas.

"In principio": isto quer dizer, traduzindo a expressão, "o começo de todo ser", como eu já disse nas escolas. Mas disse mais do que isto: é também o fim de todo ser, pois que o primeiro começo vem, para que o fim último possa chegar. De fato, Deus mesmo ali não descansa, ali onde está desde "o primeiro começo". Ele é um fim e um repouso para todos os seres, no fim último de sua perfeição total. O que é o fim último? É a escuridão oculta da Essência divina e eterna, que é desconhecida, e para sempre o será. Deus ali mora, não-conhecido em Si mesmo, à luz do Pai eterno."


Que a nós possa chegar esta Verdade e que possa ela nos ajudar.


Amém.

Meister Eckhart

(Adaptação de Frater Lux Messor)

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1 Os Sermões Alemães (de Meister Eckhart) – tradução de Marcos Beltrão (textos na íntegra: acesse aqui).

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A Geração do Filho Único de Deus Pai e da Mãe Divina

"O ATHANOR MICROCÓSMICO":

A "Face Interna da Alma" reflete a imagem de Deus Pai Criador, que se auto-contempla na totalidade de suas criaturas. Já a "Face Externa da Alma" sempre permanece pura na eternidade, junto ao Espírito, onde nasce o Filho na glória e unidade de Deus.