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2 de dezembro de 2020

O Segredo do Soldado de Cristo


• SIGILLVM+MILITVM+XPISTI •

• O SEGREDO DO SOLDADO DE CRISTO •

 • I •

A Ordem do Templo foi fundada sobre os segredos encontrados no Oriente Médio, sobre os Mistérios Gnósticos da Antiguidade, referentes à Essência que guia o homem consagrado, por meio do Cristo, a Deus.

• II •

O Selo Templário simboliza a Natureza Setenária física e espiritual deste Homem; formada por seu Quaternário Inferior, as quatro patas do cavalo, coroado pela Tríade Superior, o cavalo e os dois cavaleiros.

• III •

As patas do animal simbolizam os corpos físico, etérico, astral e mental inferior do homem; que o conduzem pela Terra por meio das suas ações, sua vitalidade, suas emoções e seus pensamentos comuns.

• IV •

Já o cavalo é o seu corpo mental superior, o cavaleiro o seu corpo místico, e o segundo cavaleiro o seu corpo espiritual; a Trindade que guia o homem por meio da razão, do princípio crístico e do princípio divino.

• V •

Assim, o homem-animal cavalga o mundo, guiado pelo animal-homem e conduzido pelo cavaleiro-Cristo, que por sua vez amparado pelo cavaleiro-Divino, tornam este Homem completo e abençoado por Deus.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

2 de novembro de 2020

A Chave Yeshwe da Iniciação

A CHAVE YESHWE DA INICIAÇÃO
E A DIVINÇÃO DO SER HUMANO

O Nome de Deus (YEWE=Jeovah) não é uma palavra, e sim um ideograma formado por quatro caracteres do alfabeto hebraico (Yod, Heh, Waw, Heh) que representam o corpo humano e os quatro elementos que o compõe.

Este ideograma, dispondo os caracteres na vertical, representam: Yod a cabeça, o primeiro Heh o ombro e os braços, o Waw o tórax e o abdômen, e o segundo Heh o quadril e as pernas; perfazendo o corpo humano.

Segundo a ciência antiga, na cabeça residia o Fogo divino da inteligência, nos braços a habilidade de movimentar o Ar, no tronco a vitalidade na Água que continha, e nas pernas os seus alicerce sobre a Terra.

Da mesma maneira, o Nome do Messias (YESHWE=Jesus) é formado com o acréscimo de um quinto caractere (Shin), o Éter, o quinto elemento que, com a Iniciação Crística, desce do Céu, e passa a residir no coração humano.

Dessa maneira, a Chama Trina é ativada no coração do homem e da mulher purificados, revela o Messias no seu interior, elevando o discípulo à condição de iniciado, tornando-os um Filho ou uma Filha de Deus.

Assim, os Cabalistas antigos ensinavam sobre a natureza física (Fogo, Ar, Água e Terra) e divina do corpo (Éter) que, uma vez recebido, sacraliza o corpo de todo homem e de toda mulher iniciados nos Mistérios da Vida Eterna.

Portanto, YESHWE, antes de ser um nome próprio, é o ideograma que a antiga Escola de Mistérios Cabalistas usava para representar e ensinar, com caracteres hebraicos, sobre o atributo do Corpo Humano Divinizado.

Ou seja, YESHWE é o título recebido por todos que, por meio do Princípio Divino SH, realizam a Teosis do Corpo YEWE, passam a carregar dentro de si a poderosa e transformadora Chama Crística do Amor Incondicional, Amém.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

26 de setembro de 2020

Apesar da Certeza da Morte

APESAR DA CERTEZA DA MORTE

Com o Amor Espiritual o Corpo Ressuscita

A OBRA

Há uma magnífica e tradicional obra escultural, chamada "São Jerônimo", na Cripta da Catedral Metropolitana de São Paulo (*), com uma bela e profunda inscrição latina nela, cujo texto e significado, bem apropriado ao local onde se encontra, transcrevo a seguir:

INSCRIÇÃO LATINA

CADAVERUM OBTITU TERRITUS MOX AFFLANTE ANGELO CHRISTUM EXANIMEM INTUITUS MIRIFICE ERIGITUR.

TRADUÇÃO LITERAL

Do cadáver a certeza terrível, com súbito sopro o Anjo de Cristo, o que sem vida parecia com surpresa é erguido.

TRADUÇÃO CONTEXTUAL

Apesar da terrível certeza da morte, subitamente com o alento do Amor Espiritual, surpreendentemente o corpo que parecia sem vida ressuscita.

EXEGESE

I. A grande maioria das pessoas, inclusive aquelas que se consideram cristãs, baseando-se na compreensão que têm sobre a vida e a morte, dirão que a única certeza que têm da vida são as suas próprias mortes.

II. Entretanto, de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo contidos nos Evangelhos, a Doutrina Cristã afirma justamente o contrário, que o destino dos Filhos de Deus é a Vida Eterna.

III. Contudo, para aqueles que acreditam na morte, a Vida Eterna se aplica ao Reino de Deus onde, em espírito, viverão para sempre; mas se esquecem que Jesus ressuscitou o seu próprio corpo carnal, transformado em Glória.

IV. Não compreendendo que o Corpo de Glória é tão material quanto os seus corpos físicos, porém absolutamente purificado e livre de pecado, não percebem que exatamente é esta a conduta esperada do cristão.

V. Ora, o próprio Mestre do Amor Espiritual nos ensinou como fazer esta transformação sagrada no qual Ele, Jesus Cristo, submeteu o seu próprio corpo carnal, fazendo de Si o maior exemplo a ser seguido.

VI. Assim sendo, a ressurreição do corpo deve ser o maior objetivo de todo cristão autêntico que, seguindo os passos do Mestre, trabalhará a sua purificação carnal para que a sua ascese se realize com a Vida Eterna.

VII. Isso porque o Espírito somente vive por meio do corpo e, sendo a vida a maior benção que Deus concede para as suas criaturas, a verdadeira vida é vivida quando o ser humano com o seu corpo, em Glória no Reino estiver.

VIII. E sendo o Reino de Deus o estado de consciência onde, purificada, a humanidade verdadeiramente vive, cabe a todo cristão autêntico desacreditar da morte do seu corpo, e por meio da sua purificação buscar a Vida Eterna.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

(*) Imagem: obra "São Jerônimo", de Francisco Leopoldo e Silva, 1919. Cripta da Catedral Metropolitana de São Paulo, Brasil. Site acessado em 25 set. 2020, disponível em:

https://vejasp.abril.com.br/estabelecimento/cripta-da-catedral-da-se

30 de junho de 2020

A Luz Divina Dentro de Nós

L*U*C*I*F*E*R*U*S

A LUZ DIVINA DENTRO DE NÓS


O termo "Lúcifer" é um nome próprio que significa "aquele que carrega a luz". Um nome comum usado nos primeiros séculos da era cristã, de significado similar a "Lucius" ou "Lucas" - "brilhantes como a luz", nomes também comuns no mundo greco-romano. 

Este nome foi usado por São Jerônimo, no séc.V, para traduzir alguns termos usados como atributo, entre eles para o planeta Vênus, o Rei Nabucodonosor e mesmo Jesus Cristo, na sua versão para a Bíblia latina, como pode ser observado nos links abaixo:


Sendo assim, todos nós carregamos a Centelha Divina dentro do coração, fazendo com que cada um de nós seja um "Lúcifer", no significado literal da palavra. E se assim for, a Igreja teria escondido esse fato, para que fosse ela o único meio de união com Deus.

Porém, segundo a Doutrina Gnóstica da Luz, nossa própria Divindade é acessada a partir da Centelha Divina presente em nosso interior; e a Igreja teria usado todos os meios para esconder essa verdade, que inviabilizaria a sua própria razão de existir.

Poderia-se inclusive afirmar que todas as religiões estariam da mesma maneira escondendo Deus, ao invés de revelá-Lo, na medida que a própria palavra "religião", que teria vindo do termo latino "religare", significaria "ligar o que está separado".

Ora, sendo impossível estarmos separados de Deus pelo fato de sermos todos Seres Espirituais encarnados, todas as religiões patrocinariam a ignorância sobre a Luz Divina dentro de nós, pelo fato de pretenderem ser intermediárias entre o ser humano e Deus.

Sendo uma das maneiras a subversão dos Mistérios Solares da Antiguidade, e sua completa inversão de valores, dada a cabo já pelos primeiros padres da Igreja e suas disputas cristológicas com as Doutrinas Gnósticas, das quais saíram vencedores.

Como no caso do nome Lúcifer que, segundo a Igreja Romana, passou a simbolizar o próprio mal para, por meio das trevas do medo e da ignorância, evitar o acesso direto do ser humano à sua Divindade Interior através da Luz do Conhecimento de si mesmo.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

1 de abril de 2020

A Taça Sagrada do Sangreal

 

 A TAÇA SAGRADA DO SANGREAL

A Mística do Espírito na Carne

• I •

Dentre muitas interpretações, a Taça do Sangreal simboliza o aspecto sacramental da constituição feminina, tanto anatômica quanto mística, na sua capacidade de gerar uma nova vida, e uma nova oportunidade de manifestação do Espírito de Deus na matéria.

 • II •

Desta maneira, a tradição mística diz que, quanto mais puro e sacramentado for o ato procriador entre homem e mulher, mais pura será a manifestação do Espirito na carne, procurando trazer ao mundo o Instrutor Divino, o Cristo encarnado na forma humana. 

• III •

Ao olho vidente, a Taça representa a forma afunilada que o Espirito assume, quando desde a ampla Fonte Celestial projeta sua essência no mundo, uma coluna de luz que, no momento da concepção, toca a terra, fazendo no coração humano a sua morada.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

22 de fevereiro de 2019

Veni Creator Spiritus

  VENI CREATOR SPIRITUS
VENHA ESPÍRITO CRIADOR

(Homenagem ao Espírito Criador que me enviou)


1 Venha Espírito Criador,
preenche com graça celestial minh'alma por ti criada.

2 Fonte Consoladora do fogo divino
que me ungiu com o dom da vida espiritual.

3 Que pela promessa solene do Pai,
com o dom da palavra me presenteou.

4 Preenche sempre de luz os meu sentidos,
de virtude o meu corpo e de amor o meu coração.

5 E afastando tudo que não convém,
uma correta orientação a paz me permita.

6 Pois sendo Filho, reconheço minha Paternidade,
e o Espírito que jaz comigo.

7 E graças ao Pai, que pelo Espírito me instruiu
no consolo que a verdade dá.

8 E graças à Filiação Divina
que ao serviço do Espírito minha vida uniu.

9 Glória ao Pai e ao Filho,
que pelo Espírito Divino fez-me ressuscitar.

10 Para que venha a mim este Espírito,
para a Terra renovar.

Amém.

(Adaptação de Frater Lux Messor)

13 de janeiro de 2018

Hércules na Encruzilhada


Hércules na Encruzilhada, de Pietro Benvenuti
(1817-1819 - Palazzo Pitti - Florença - Itália)

HÉRCULES NA ENCRUZILHADA
ENTRE A VIRTUDE E O VÍCIO

Hércules era ainda jovem, inexperiente, tinha uma longa vida diante de si, mas seu coração vivia insatisfeito. Olhava a sua volta e via que alguns de seus amigos passavam a maior parte do tempo divertindo-se, bebendo, e saindo com moças, enquanto ele era obrigado a trabalhar de sol a sol, para ajudar no sustento de sua casa. 

Certa manhã, seu padrasto pediu que fosse até uma cidade próxima,  para comprar fermento de pão. Hércules obedeceu, mas como era a primeira vez que andava por aquele caminho, chegou a uma encruzilhada e não soube que direção tomar. 

O caminho da direita era acidentado e cheio de pedras, sem qualquer beleza natural, mas Hércules notou que conduzia a uma bela cordilheira de montanhas azuis no horizonte. Já o caminho da esquerda era largo e plano; estava ladeado por um rio de águas claras, contornava uma plantação de árvores frutíferas, e pássaros cantavam em toda a sua extensão. 

Entretanto, uma bruma matinal não deixava ver onde o caminho ia dar. Enquanto o jovem meditava, procurando descobrir a melhor decisão para cumprir a missão que lhe fora conferida, notou que duas lindas mulheres se aproximavam, cada qual por um dos caminhos.

A que vinha da vereda arborizada chegou primeiro, já que a trilha era mais fácil de percorrer; Hércules notou que tinha o rosto dourado de sol, olhos brilhantes, e se dirigiu a ele com uma voz doce e persuasiva:

– Olá, rapaz de imensa força e atitude correta! – disse. – Segue-me e te conduzirei por lugares amenos, onde não há tormentas para castigar teu corpo, ou problemas para entristecer tua alma. Viverás como teus amigos, em uma ronda incessante de música e alegria, e nada te faltará: nem o vinho que refresca, nem as camas confortáveis, nem as mais belas moças da região. Vem comigo, e a tua vida será um sonho. 

A esta altura, a outra mulher, que vinha pela trilha da montanha, também havia chegado à encruzilhada. E disse para Hércules: 

– Não tenho nada disso para prometer. Tudo que encontrarás neste meu caminho é aquilo que podes conseguir com tua força e tua vontade. A trilha por onde te conduzirei é irregular e amedrontadora, as vezes com subidas muito inclinadas, as vezes com vales onde os raios de sol nunca conseguem entrar. As paisagens que verás podem ser magestosas e imponentes, mas também solitárias e assustadoras. 

“No entanto, este é o caminho que conduz até as montanhas azuis da fama e da conquista, que podes ver à distância. Não podes chegar a elas sem esforço, e tudo que desejares deve ser fruto do teu trabalho. Se quiseres comer, é preciso plantar. Se quiseres o amor, é preciso amar. Se quiseres o Céu, deves ser digno de entrar pelos seus portões. Se quiseres que se lembrem de ti, deves estar pronto para lutar a cada minuto da tua vida. “ 

– Como você se chama? – perguntou Hércules. 

– Alguns me chamam Trabalho – respondeu a mulher. – Mas outros me chamam Virtude, e eu prefiro este nome. Hércules então se voltou à outra mulher. 


– E qual o seu nome? 

– Alguns me chamam Prazer – disse aquela que viera do caminho florido. – Mas prefiro que me chamem de Sorte. 

– Prazer, eu não posso ver até onde conduz a trilha para a qual me convidas – comentou Hércules. – Por outro lado, a Virtude me mostra as montanhas no horizonte, e onde pode chegar com o resultado dos meus esforços. 

E pegando na mão da Virtude, entrou com ela no caminho que conduzia ao seu próprio destino.


MISTÉRIOS ÓRFICOS


Este quadro simboliza o Homem Moralmente Forte (Hércules), que está lutando para abandonar a vida profana da carne (Mégara) e tendo a oferta de se colocar sob o abrigo da pureza da sua Alma (Deusa Athena).

A cena mitológica e alegórica se utiliza de uma interpretação dos Mistérios Órficos à Luz das doutrinas místicas e propósitos das Sociedades Secretas do Séc. XVIII. No topo à esquerda, um Templo de luz dourada simboliza o reino espiritual a ser alcançado. No meio à direita, um busto pétreo simboliza o homem incorporado na matéria.

O mundo profano está assentado sobre um gramado verde, o jardim da vida. Sobre um tapete vermelho, simbolizando o mundo iniciático, assenta-se a prova de Hércules. À esquerda, no caminho para a subida da montanha rumo ao Templo de luz dourada o caminho é rochoso, simbolizando as dificuldades da vida espiritual. O círculo da Alma é representado pelo escudo de Athena.

Mégara segurando Hércules pelo Velocino de Ouro em seu braço, os dois Cisnes, os dez Anjos, as três Graças, a postura que cada um assume, a taça e o jarro, a chama, a floresta, a fonte, o rio... Cada detalhe do quadro contém informações iniciáticas preciosas, intencionalmente colocadas para orientar o Neófito para sua entrada e caminhada na Via Real.

Cum Lucis Mihi Vici 

Frater Lux Messor


Outras versões artísticas: