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21 de maio de 2013

A Fortaleza Luciferiana

AS APARÊNCIAS ENGANAM : Muitos verão na imagem acima uma figura horrivelmente cadavérica. Mas para quem não se deixa enganar pelas aparências,  trata-se apenas de uma linda modelo (Kortnye Hurst) com pintura e adornos, obra artística de uma renomada fotógrafa (Julia Kuzmenko McKim) realizada para uma famosa revista (link abaixo). Isso porque nada é o que parece ser, são ilusões da mente, que sempre procura dar significado a tudo que vê. Então, para que a realidade seja percebida em toda pureza e beleza, sem as distorções da mente, os símbolos e valores impostos por esta devem ser superados, pois o medo tem como causa a maneira como as coisas são compreendidas. (Fonte: Behance)




A FORTALEZA LUCIFERIANA


Caros Irmão, Guerreiros da Luz. Todo Luciferiano Verdadeiro é Forte, muito Forte. Jamais deverá dizer o contrário. E se Tu fores um de Nós, caso alguém diga que sois fraco, este alguém mente. Não esqueças jamais que o Luciferianismo não combina com o velho jogo do "siga o mestre", não combina com fraqueza, falta de coragem ou determinação.

Luciferianismo é somente para os Fortes, os Justos e os Valentes, conhecedores de Tudo O Que São, de Onde Vieram, O Que Fazem Aqui, e para Onde Vão. Quando alguém vier até vós e disser: "Eu sou vosso mestre", não acrediteis. Antes dizeis: "Eu Sou o Mestre de Mim Mesmo, e não há outro mestre a não ser a Luz da Verdade que Há em Mim".

Potestades Siderais nos assistem e reconhecem que, nós seres humanos somos Mestres, e devemos estar no comando. Que estão de fato ao nosso serviço, e com isso dizem que estão para nos ajudar a reconhecer a Divindade que Somos. Que nada podem fazer sem autorização do Ser Humano, e que somente um Luciferiano Verdadeiro é capaz de reconhecer a Divindade que Há em Si, e desejar a Apoteose.

Se assim procederem, jamais serão vítimas nas trevas da mentira. Tornar-se-ão despertos, libertos, autênticos, e nada nem ninguém voltará a sequestrar vossa Energia novamente. A maioria das pessoas não fazem mínima ideia sobre a Luz Verdadeira e seu propósito, procurando na mente o que não está na mente, fora o que está dentro.

Há um planeta inteiro sendo resgatado por aqueles que procedem da Luz. Não estamos sós, há muitos por toda parte. O Jogo está sendo encerrado. Parem de buscar com a mente e despertem a informação viva dentro de vós. A Gnose sempre mostra o caminho Justo. Então que a Justiça seja feita, sempre... Com a Luz, pela Luz e através da Luz.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

2 de abril de 2013

Palas Athena e seus Símbolos

A Astúcia é a Mãe da Justiça... E Avó da Vitória.


PALAS ATHENA E SEUS SÍMBOLOS

Por LUCIENE FÉLIX
Professora de Mitologia Greco-Romana

O Nascimento de Palas Athena

Narra o mito que a Sabedoria e a Justiça, personificadas pela deusa grega Athena (a deusa Minerva dos romanos), é fruto de Métis (a astúcia, a inteligência) com o poderoso Zeus, ordenador do Cosmos.

Após ter sido proferido pelo oráculo que, se Zeus tivesse uma filha, ela se tornaria ainda mais poderosa que ele, Zeus tratou de engolir Métis para impedir o nascimento. Assim, Athena é gerada na cabeça do soberano do Olimpo (por isso, a deusa é associada ao lógos).

Findado o período de gestação, o supremo deus começou a sentir terríveis dores de cabeça, pois enquanto a Justiça não nasce, elas são inevitáveis.

Desesperado e no limite, Zeus ordena ao ferreiro divino Hefestos (Vulcano) que lhe abra a cabeça. Mesmo a contragosto, com técnica e precisão, desferra-lhe o machado de ouro certeiro e todos se surpreendem ao verem surgir, imponente e armada, pronta para a guerra, a deusa Palas Athena.

Palas significa "a donzela", pois a poderosa filha pede ao pai para manter-se sempre virgem e, desta forma, impor-se com a autoridade de quem não se deixa seduzir ou corromper.

Sua principal característica física é o porte altivo. Invocando a proteção de Athena sobre todo e qualquer embate, tem-se a vitória como certa, uma vez que Palas Athena é sempre acompanhada por Niké (a vitória).


A Espada de Athena

Com a espada de ouro em punho ou lança resplandescente (numa imagem mais arcáica), que fora presente do deus da techné Hefestos, Athena já nasce fortemente armada, pronta para a guerra. Mas o combate da deusa grega é diferente da guerra do bélico deus Ares.

Na mitologia grega, Ares, é o cruel deus da guerra, da carnificina. Individualista, não titubeia em impor sua caprichosa vontade a quem quer que seja. Enaltecido pelos Romanos, impulsivo, Ares é um deus de caráter epimetéico: primeiro age, depois pensa.
Pensar é atividade da mente, do elemento Ar, este sim, distingüe os homens das bestas. Daí a prudente razoabilidade de Athena ser tão necessária à manutenção da ordem (Cosmos) e à evolução do espírito humano.

De gosto pelo desafio da conquista, Ares é acompanhado de Éris (a Discórdia), que com seu archote em chamas acende o furor no coração dos soldados e seus filhos, Deimos (terror) e Phóbos (medo), também servidores fiéis desse funesto deus.

O espetáculo hediondo da carnificina causa horror a deusa Athena. Os gregos sempre preferiram a sábia, justa guerreira Palas Athena, filha da razão do soberano do Olimpo. Athena é também patrona da guerra, mas trata-se do combate feito com inteligência e astúcia, motivado por um ideal honroso, guerra somente enquanto último recurso, quando torna-se insuficiente a lúcida resolução diplomática e pacífica de qualquer polêmica. Uma batalha também pode ser encarada como última e importante argumentação na defesa da justiça quando todas as outras falharam.

Sempre às turras com seu inimigo Ares, pois nem sempre encontram-se do mesmo lado na batalha, Palas (a donzela) será a única mulher a imiscuir-se aos homens, sendo sempre respeitada por eles. Antes do começo da batalha, eles sentem sua presença inspiradora e com isso anseiam mostrar seu heroísmo. “Sacudindo a terrível égide, a deusa brada e corre veloz entre as fileiras convocadas à batalha. Um momento atrás, esses homens haviam aplaudido com júbilo a idéia de voltar para sua pátria; agora a esquecem por completo: o espírito da deusa faz agitar todos os corações com ardor bélico”.

Renomados heróis como Tideu, Hércules, Ulisses e Aquiles dobram-se aos seus sábios conselhos.

Quanto ao herói Tideu, Athena foi sua fiel companheira de batalha, até quis torná-lo imortal. Aproximou-se do herói ferido de morte trazendo na mão a bebida da imortalidade. Mas ele estava a ponto de fender violentamente o crânio do adversário morto para sugar-lhe o cérebro. Horrorizada, a deusa retrocedeu e o protegido para quem ela cogitava o mais elevado destino mergulhou na morte comum, pois tinha desonrado a si mesmo.
“Athena seria mulher porque os orgulhosos heróis que se deixaram conduzir por ela não se submeteriam tão facilmente a um varão, mesmo que fosse um deus”.

Quando em fúria cega Aquiles está prestes a liquidar Agamêmnon, Athena toca seu ombro e o aconselha a dominar-se, contentando-se em ofender o Atrida somente com palavras. O herói prontamente guarda a espada já desembainhada.

Refletindo sobre a máxima de Heráclito: “A Guerra é Pai de todas as coisas”, é pela espada de Athena que se impõe a Justiça.


A Cabeça da Medusa

Athena carrega, no peitoral de sua armadura a cabeça de Medusa, a rainha das Górgonas.

As Górgonas são três irmãs (Medusa, a dominadora; Euríale, a errante e Esteno, a violenta) que simbolizam os inimigos interiores que temos de evitar. São deformações monstruosas da psique nascidas do desvirtuar de três pulsões humanas: sociabilidade (Esteno), sexualidade (Euríale) e espiritualidade (Medusa). Como a perversão espiritual prevalece sobre as outras, Medusa é conhecida como rainha das Górgonas.
A perversão da pulsão espiritual, por excelência, é a vaidade (imaginação exaltada em relação a si mesma) que é simbolizada pela serpente. Em Medusa, inúmeras serpentes coroam sua cabeça.

No frontispício do templo de Apollo (irmão de Athena), deus da harmonia, lêem-se as palavras que resumem toda a verdade oculta dos mitos: “conhece-te a ti mesmo”. A única condição do conhecimento de si mesmo é a confissão das intenções ocultas, que, por serem culpáveis, são habitualmente maquiadas pela vaidade (por uma justiça falsa, pois sem mérito, infundada). A inscrição reveladora significa, portanto: desmascara tua falsa razão, ou, o que dá no mesmo, aniquila tua vaidade. Faz-se necessário a clarividência em relação a si mesmo, o inverso do ofuscamento vaidoso e petrificante.

Ver Medusa significa: reconhecer a vaidade culposa, perceber a nu suas falsas razões, suas intenções ocultas, o que ninguém consegue confessar a si mesmo, da qual ninguém suporta a visão.

A cabeça da Medusa foi presente do herói Perseu, a quem a deusa Athena auxiliou em combate emprestando-o seu escudo, para que não a encarasse de frente e ficasse estagnado. O escudo reluzente de Athena, ao refletir a imagem verídica das coisas e dos seres, permite conhecer a si mesmo: é o espelho da verdade. Neste escudo, o homem se vê tal como é, e não como gosta de imaginar ser.

Athena é a deusa da combatividade espiritual (as três manifestações da elevação espiritual são a verdade, a beleza e a bondade). A sapiência, o amor pela verdade é a condição para ascender ao conhecimento de si e, em conseqüência, para adentrar na harmonia (Apollo).
Para derrotar a Medusa, foi necessário que o herói a surpreendesse enquanto dormia pois o homem somente é lúcido e apto ao combate espiritual quando a exaltação de sua vaidade não está desperta. Arma muito cobiçada, mesmo morta, a cabeça da Medusa continuou mantendo seu poder de petrificar quem a encarasse de frente.

Contra a culpabilidade advinda da exaltação vaidosa dos desejos, não há senão um único meio de salvaguarda: realizar a justa medida, a harmonia.

A deusa, símbolo da combatividade que inspira o amor à verdade, convida os mortais a reconhecerem-se em Medusa, incitando-os à luta contra a mentira essencial, a mentira subconscientemente desejada, o recalcamento, as falsas razões. A cabeça cortada prova que a Medusa não é invencível.

Antes de merecer o apoio de Athena, todo mortal deve encarar o símbolo da decadência espiritual (a vaidade). Somente assim têm-se certeza de que sua reivindicação não oculta outra intenção, ou seja, não é capricho, teimosia. Ante a imagem da Medusa, quem busca a deusa clamando por justiça tem somente duas possibilidades: contar com sua proteção (vitória certa), se já passou pela prova da Medusa, ou imobilizar-se no pânico e petrificar-se.


A Coruja de Minerva

As aves, por serem consideradas os seres mais próximos dos deuses, foram, conforme suas características e atribuições, associadas a eles. A soberana águia acompanhava o poderoso Zeus, o imponente pavão, sua consorte e protetora dos amores legítimos: a deusa Hera. À atenta coruja coube a companhia da sábia Athena.

Vemos a imagem da coruja, símbolo de uma vigilância constantemente alerta, nas mais antigas moedas atenienses. A coruja, em grego gláuks “brilhante, cintilante”, enxerga nas trevas. Um dos epítetos de Athena é “a de olhos gláucos” (esverdeados).

Em latim é Noctua, “ave da noite”. Noturna, relacionada com a lua, a coruja incorpora o oposto solar. Observem que Atena é irmã de Apollo (Sol). É símbolo da reflexão, do conhecimento racional aliado ao intuitivo que permite dominar as trevas. Apesar de haver uma forte associação desta ave à escuridão e a sentimentos tenebrosos, o que é natural a um ser noturno, o fato de ela ter sido (devido a suas específicas características) atribuída à deusa Athena também a tornou símbolo do conhecimento e da sabedoria para muitos povos.

A coruja é uma excelente conhecedora dos segredos da noite. Enquanto os homens dormem, ela fica acordada, de olhos arregalados, banhada pelos raios da sua inspiradora Lua. Vigiando os cemitérios ou atenta aos cochichos no breu, essa ambaixadora das trevas sabe tudo o que se passa, tendo-se tornado em muitas culturas uma profunda e poderosa conhecedora do oculto.

Havia uma antiga tradição segundo a qual quem como carne de coruja participa de seus poderes divinatórios, de seus dons de previsão e presciência. A coruja tornou-se assim atributo tradicional dos mânteis, daqueles que praticam a mântica, a arte do divinatio, da adivinhação, simbolizando-lhes o dom da clarividência.

Eis a ave da deusa da Sabedoria e da Justiça: atenta coruja, cujo pescoço gira 360º, possuidora de olhos luminosos que, como Zeus, enxergam “O todo”. Devido a todos esses atributos, a Coruja simboliza também a Filosofia, os Professores e nossa proposta de Conhecimentos Sem Fronteiras: integrar todas as formas de conhecimento com o olhar para O Todo.

Na introdução de sua obra Filosofia do Direito, o Filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1830), escreve o seguinte:

Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho, uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer; A coruja de Minerva alça seu voo somente com o início do crepúsculo.

(Adaptação de Frater Lux Messor)

10 de março de 2013

O Coração-Mestre e a Estratégia da Ascensão


"Quando o maçom aprende que o segredo para o guerreiro é a correta aplicação do dínamo do poder da vida, ele aprendeu o mistério de sua Arte. As energias ardentes de Lúcifer estão em suas mãos e antes que ele possa avançar para a frente e para cima, precisa provar sua capacidade de aplicar corretamente a energia." [Manly Palmer Hall] 


O CORAÇÃO-MESTRE
E a Estratégia da Ascensão

Viva o mundo das ideias e planeje estrategicamente a sua ascensão. Valorize a inteligência, o conhecimento e a intuição, e estabeleça altíssimos padrões para si mesmo e continuamente se esforce para atingi-los. Porém, não tenha expectativas similares para com os outros, para que não atrase o seu próprio progresso. Antes, faça o que tiver que fazer, e sirva de exemplo para aqueles que desejam trilhar a mesma senda.
Com máxima perspicácia e determinação, foque sua energia na observação do seu mundo interno, gerando conceitos e possibilidades. Sua mente constantemente obterá informações e fará associações com elas, compreendendo novas ideias com extrema rapidez. Porém, não apenas compreenda os conceitos adquiridos, mas aplique-os de forma prática, estabelecendo-os com precisão, agindo de maneira eficaz.
Ofereça os dons à medida que vão sendo adquiridos àqueles que o mereçam, transformando suas ideias em formas úteis a serem seguidas pelas pessoas. Mesmo não sendo fácil expressar direta e linearmente suas visões e abstrações internas, traduza-as na forma de um sistema que seja fácil de explicar. Seu conhecimento e inteligência o motivará a explicar-se de maneira que as pessoas possam compreender.
Seja um líder, mas fique “por trás do véu” até que surja uma necessidade real de liderança. Torne objetiva toda realidade subjetiva com que se defrontar, para que rapidamente mude aquilo que não esteja funcionando bem. Seja o supremo estrategista, que avalia e compara constantemente as experiências adquiridas, deixando pronto um plano que possa entrar em ação a qualquer momento que se fizer necessário.
Gaste o tempo que for necessário focando-se no seu próprio progresso, dentro da sua estratégia de ascensão, deixando de lado o que outras pessoas pensam ou sentem a respeito. Antes, fique atento ás instruções do seu Coração-Mestre. Desenvolvendo o seu lado prático na obtenção de experiências que possam facilitar o seu progresso, não ignorando conceitos que possam contribuir para a aceleração da sua ascensão.
Faça com que seu intento esteja na tomada de decisões assertivas, incluindo tudo em um sistema compreensível e racional para que possa expressar seus julgamentos com rapidez. Contudo, uma intuição altamente desenvolvida o fará medir o quanto estará progredindo na senda. Caso suas atitudes estejam sendo mal interpretadas por outras pessoas, reserve para si mesmo o seu avanço, e não permita nenhuma interferência.
A autoconfiança adquirida e a capacidade de experimentação em longo prazo, o habilitará a trabalhar com desenvoltura e prazer nas áreas científicas, diplomáticas, políticas, militares, e de negócios. Você não tolerará a desordem e a ineficiência, e procurará sempre diminuir as taxas de entropia de cenários caóticos e, para isso, deverá investir a energia que for necessária para ampliar a sua percepção correta das coisas.
As pessoas terão dificuldades em lhe compreender, achando você uma pessoa enigmática; mas nunca demonstre afetos desnecessários para alcançar a sua meta. As pessoas acharão você inflexível e fechado a ideias diferentes das suas. Mas na verdade você estará sempre buscando encontrar objetivamente a melhor estratégia para alcançar a sua libertação. Então, esteja sempre aberto a ouvir sobre maneiras diferentes de fazer as coisas.
Ouvindo o seu Coração-Mestre, você alcançará uma capacidade tremenda de conquista. Com a intuição obterá ampla visão de todas as coisas, sintetizando conceitos em um sólido plano de ação. Seja altamente competente, e realizará um grande salto na sua vida. Seja tolerante, e poderá comunicar suas ideias aos outros com eficácia, e terá em suas mãos tudo que precisará para obter a glória e a vitória sobre si mesmo.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

3 de fevereiro de 2013

O Evangelho de Judas

"Esta é uma tradução contextual livre, de trechos selecionados, segundo os preceitos da OL*VA, do texto gnóstico do "Evangelho de Judas" encontrado em 1978, em El-Minya, no Egito; e publicado pela National Geographic em 2006 (Link da edição em inglês, direto do original copta, após o texto abaixo). A OL*VA não pretende sob nenhuma hipótese expressar informações oficiais de nenhuma natureza, sejam elas científicas, filosóficas ou religiosas, referentes a este achado arqueológico. E por se tratar de assunto de interesse universal, nos reservamos o direito de assim proceder." [ Frater Lux Messor ]

O EVANGELHO DE JUDAS
Palavras Secretas de Jesus a Judas,
o seu Discípulo mais Forte

Estando Jesus e seus discípulos na Judéia, e estando eles reunidos em oração, Jesus riu. Os discípulos lhe disseram: “Mestre, por que ris da nossa oração? Não fizemos o que é correto.” Mas ele lhes respondeu: “Não rio de vós. Mas do que fizestes, não por vossa vontade própria, para louvar o vosso Deus.” Eles disseram: “Mestre, mas tu não és o filho de nosso Deus?” Jesus, porém, lhes disse: “Donde pensais conhecer-me? Em verdade vos digo que vossa geração humana não me conhecerá.”
Quando seus discípulos ouviram isso ficaram furiosos. Ao ver sua falta de compreensão, Jesus lhes falou: “Por que essa notícia vos irrita? Vosso Deus provocou ira em vossas almas? Qual dentre vós é forte o suficiente para produzir o homem perfeito, e o fazer vir ante minha face?” Todos disseram: “Nós temos a força.”
Mas seu ânimo era muito fraco para enfrentá-lo, exceto Judas Iscariotes, que se colocou à sua frente, porém, de cabeça baixa, e então sussurrou a Jesus: “Eu sei quem tu és e donde vieste. Tu vens do reino eterno de Barbelo e não sou digno de pronunciar o nome daquele que te enviou.”
Reconhecendo as palavras sublimes de Judas, Jesus lhe disse em segredo: “Afasta-te dos outros e eu te revelarei os mistérios do Reino, onde poderás chegar, mas não sem antes passares grande sofrimento. Senão, algum outro terá que cumprir tua tarefa, para que os doze voltem a ser um com seu Deus.” Judas, porém, lhe disse: “Quando tu me revelarás essas coisas? Quando ocorrerá o grande dia da luz sobre essa geração?” Mas, quando ele disse isso, Jesus desapareceu.

As Gerações Humanas
Na manhã seguinte, Jesus reapareceu aos seus discípulos, que lhe disseram: “Mestre, onde foste e o que fizeste na tua ausência?” Jesus respondeu: “Fui a outra geração grandiosa e santa.” Seus discípulos lhe disseram: “Senhor, qual é essa geração grandiosa, que é superior a nós, que é mais santa que nós e que não é deste reino?”
Ao ouvir isso, Jesus riu e falou-lhes: “Por que vós pensais em vossos corações sobre aquela geração forte e santa? Em verdade, eu vos digo que ninguém, que nasce neste mundo, verá aquela geração e nenhum exército de anjos das estrelas reinará sobre aquela geração e nenhum mortal poderá relacionar-se com aquela geração. Porém, esta geração dos homens, da qual fazeis parte, é da geração da humanidade. Quando seus discípulos ouviram isso, cada um deles agitou-se em espírito.
Outro dia, Jesus apareceu-lhes e disseram-lhe: “Mestre, te vimos numa visão, em um grande altar, com doze sacerdotes que invocavam teu nome, e uma multidão que lhes davam como oferta seus pecados e delitos. Jesus, porém lhes disse: “A multidão que vistes são aqueles que se desviaram do reto caminho, os sacerdotes sois vós, que plantaram árvores que não produziram frutos, contudo, aquele que vistes no altar é o Deus a quem vós servis, pois meu nome está escrito nas estrelas das gerações humanas. Portanto, deixai de lutar contra mim, cada qual de vós tem sua própria estrela e deverá irrigar o paraíso de Deus e a geração, que permanecerá imaculada até toda eternidade.”
Judas disse-lhe: “Mestre, que tipo de frutos esta geração apresentará?” Jesus respondeu: “Quando esses homens cumprirem o tempo do reino e o espírito os abandonar, seus corpos morrerão, mas suas almas viverão e serão elevadas.” Judas disse: “E o que fará o resto das gerações humanas?” Jesus respondeu: “É impossível semear sobre uma rocha e colher frutos. As gerações maculadas e a Sofia corruptível que criou os mortais, não têm como subirem aos reinos eternos.”

Os Mistérios do Reino
Judas disse: “Mestre, tive uma visão grandiosa, onde vi-me sendo perseguido e apedrejado pelos doze discípulos. Foi quando cheguei a uma grande casa com uma multidão de gente.” Jesus respondeu: “Nenhum mortal jamais pode pisar nessa casa, pois esse lugar é reservado somente aos santos. pois lá não ha sol, nem lua, nem dia, mas os santos lá permanecerão para todo o sempre, em glória eterna com os santos anjos.”
Judas disse: “Mestre, minha semente sera controlada pelos governantes?” Jesus respondeu: “Tu te afligirás muito quando vires o reino e suas gerações." E Judas perguntou: “Mestre, por que me escolheste para tal.” Jesus respondeu: “Tu, nos últimos dias, serás invejado pelas gerações futuras, pois virás para domina-las e faze-las ver tua elevação para junto da geração dos santos.”
E disse: “Venha, para te ensinar os mistérios que nenhum homem jamais viu. Pois existe um reino infinito, cuja extensão nenhuma geração de anjos jamais viu, onde há um grande espírito invisível, que nenhum anjo jamais viu, nenhum coração e pensamento pôde compreender, e nunca foi chamado por nome algum."
"Então surgiram cinco nuvens brilhantes com cinco anjos grandiosos, que irradiavam a eternidade divina, como servos celestiais. E o eterno criou mundos iluminados, com inúmeros coros de anjos para servi-lo. E fez aparecer a geração incorruptível de Seth em doze astros e seus mundos, tendo seis céus cada, havendo 72 céus nos 12 astros, com cinco firmamentos cada, totalizando 360 firmamentos."

"E foi-lhes dado o poder e receberam um grande exército de anjos sem número, para honra e veneração de todos os mundos, dos céus e de seus firmamentos. A isto se chama cosmos – isto é corrupção. Nele apareceu o primeiro homem com suas forças incorruptíveis. E a geração começou com a idade na qual há uma nuvem de saber e de anjos."

"Então criou-se doze anjos para dominar o caos e o mundo inferior. E das nuvens surgiu um anjo maculado com sangue, cuja face cintilavam chamas. Seu nome era Nebro, que significa rebelde – outros o chamam Yaldabaoth – criou seis anjos, como também Saklas, para serem servos, e esses criaram doze anjos nos céus, de onde cada qual recebeu parte do céu. Então surgiram os cinco que reinam sobre o mundo inferior e sobre o caos."

"O primeiro é Seth, que é chamado Cristo. O segundo é Harmathoth; o terceiro é Galila; o quarto é Yobel; e o quinto é Adonaios”. Então Saklas falou a seus anjos: Façamos um ser humano segundo a forma e segundo a imagem. Formaram Adão e sua mulher Eva, que na nuvem é chamada Zoé. Através desse nome, todas as gerações procuram o homem e cada um chama a mulher por este nome. E o senhor disse a Adão: Viverás uma vida longa com teus filhos."

O Ministério de Judas
Judas disse a Jesus: "Por quanto tempo viverá a geração dos homens?" Jesus respondeu: "Por que tu te admiras de Adão e sua geração, ter vivido longamente no lugar que recebeu o reino do senhor?"
E perguntou Judas a Jesus: "Pode o espírito do homem morrer?" Jesus respondeu: "É por isso que Deus ordenou Miguel a dar aos homens emprestado o espírito, para que o sirva, mas o Todo Poderoso ordenou Gabriel conceder o espírito à grande geração sem Senhor acima de si, espírito e alma. E o espírito que em ti habita, na carne e entre os anjos. Porém Deus deu a Adão e a todo aquele que possa compreender, de maneira que os reis do caos não tivessem poder sobre eles."
Judas disse a Jesus: "Então o que esta geração fará?" Jesus respondeu: “Para cada um seus destinos serão conduzidos pelas estrelas. Quando Saklas der por encerrado o tempo previsto a ele, sua estrela surgirá com as gerações, e suas promessas serão cumpridas, dai então viverão desregradamente." E rindo Jesus, Judas lhe disse: “Mestre, por que ris?" Jesus respondeu: “Não rio por tua causa, e sim dos erros das estrelas, pois as seis estrelas vagam com os cinco adversários, sendo que todos desaparecerão juntamente com suas criações."
E Jesus disse: "Mas tu superarás todos eles. Pois terás que sacrificar o homem que me reveste. E assim o Senhor será aniquilado. Então a grande geração de Adão se levantará acima dos céus, e da terra, e dos anjos, pois a geração do reino eterno, realmente existe. Então, agora que tudo te foi revelado, levanta teu rosto e olha à nuvem e à luz que há nela e as estrelas que a cercam. A estrela, que mostra o teu caminho é a tua estrela." Então Judas levantou o rosto e viu uma nuvem brilhante, e entrou nela. E da nuvem uma voz falou.
E assim, eis que os sumos sacerdotes sussurravam enquanto ele se dirigira ao quarto para rezar. Mas os doutores da lei que lá se encontravam esperavam o momento para prendê-lo longe das vistas do povo, pois todos sabiam que era um profeta. Então disseram a Judas: "O que fazes aqui? Tu és discípulo de Jesus." Mas Judas respondeu-lhes o que queriam ouvir. E recebendo um pouco de dinheiro, entregou Jesus a eles.
(Adaptação de Frater Lux Messor)
Fonte: The Gospel of Judas - 2006 by The National Geographic Society. Acesse: AQUI.

8 de janeiro de 2013

O Homem Superior


"A filosofia de Nietzsche, apesar de mau utilizada por forças escusas, é de fundamental importância para vencermos o mundo do conformismo, da fraqueza e da servidão. O temor, a culpa e o arrependimento destroem a força interior do ser humano. Ao contrário, a criatividade, a coragem, a ousadia e a autosuperação, estas sim, podem vislumbrar um futuro estupendo para a humanidade, fazendo-a elevar-se a esferas de progresso espiritual jamais imaginadas". [ Frater Lux Messor ]


O HOMEM SUPERIOR
(ASSIM FALAVA ZARATUSTRA)
FRIEDRICH NIETZSCHE

I
Quando pela primeira vez estive com os homens cometi a loucura do solitário, a grande loucura: fui para a praça pública.
E como falava a todos, não falava a ninguém: e de noite tinha por companheiros volatins e cadáveres; eu próprio era quase um cadáver!
A nova manhã trouxe-me uma nova verdade: aprendi então a dizer: “Que me importam a praça pública e a populaça e as orelha compridas da populaça?”

Homens superiores, aprendei isto comigo: na praça pública ninguém acredita no homem superior. E se teimais em falar lá, a populaça diz: “Todos somos iguais”.
“Homens superiores — assim diz a populaça: — não há homens superiores: todos somos iguais; perante Deus um homem não é mais do que outro: todos somos iguais!”
Perante Deus! Mas agora esse Deus morreu; e perante a populaça nós não queremos ser iguais. Homens superiores, fugi da praça pública!
II
Perante Deus! Mas agora esse Deus morreu! Homens superiores, esse Deus foi o vosso maior perigo.
Ressuscitastes desde que ele jaz na sepultura. Só agora torna o Grande Meio-Dia; agora torna-se senhor o homem superior.
Compreendeis esta palavra, meus irmãos? Assustai-vos: apodera-se-vos do coração a vertigem? Abre-se aqui para vós o abismo? Ladra-vos o cão do inferno?
Homens superiores! Só agora vai dar à luz a montanha do futuro humano. Deus morreu: agora nós queremos que viva o Super-homem.
III
Os mais preocupados perguntam hoje: “Como se conserva o homem?” Mas Zaratustra pergunta — e é o primeiro e único a fazê-lo: — “Como será o homem superado?”
O Super-homem é que me preocupa; para mim é ele o primeiro e o único, e não o homem: não o próximo, o mais pobre, nem o mais aflito, nem o melhor.
Meus irmãos, o que eu posso amar no homem é ele ser uma transição e um fim. E em vós também há muitas coisas que me fazem amar e esperar.
Desprezastes, homens superiores: é isso que me faz esperar: porque os grandes desprezadores são também os grandes reverenciadores.
Desesperaste, coisa que merece grande respeito; porque não aprendeste a render-vos, nem aprendeste a ser prudentes.
Hoje, os pequenos tornaram-se senhores: todos pregam a resignação e a modéstia e a prudência, e a aplicação, e as considerações, e as virtudes pacatas.
O que é que de espécie feminil, o que procede de servil condição, e mormente a turba plebéia, é o que quer agora assenhorear-se do destino humano. Horror! Horror! Horror!
Esse pergunta uma e outra vez, sem se cansar: “Como se conservará o homem melhor, mais tempo e mais agradavelmente? “Assim são hoje os senhores”.
Ó! meus irmãos! Subjugai-me esses senhores atuais, subjugai-me essa gentinha: é o maior perigo do Super-homem.
Homens superiores, dominai as virtudes enganosas, as considerações com os grãos de areia, o bulício de formigas, a ruim complacência, a “felicidade dos outros!”
A ter que vos renderdes preferi desesperar.
Amo-vos deveras, homens superiores, porque hoje não sabeis viver! Pois assim viveis... melhor!
IV
Tendes valor, meus irmãos? Estais decididos? Não falo de valor, perante testemunhas, mas de valor, de solitários, valor de águias, do que não tem por espectador nenhum deus.
As almas frias, os cegos, os bêbados, não têm o que eu chamo coração. Coração tem aquele que conhece o medo, mas domina o medo; o que vê abismo, mas com arrogância.
O que vê o abismo, mas com olhos de águia; o que se prende ao abismo com garras de águia: é este o valoroso.
V
“O homem é mau”. Assim falavam os outros sábios para consolo meu. Ai! Se isto fosse verdade ainda hoje! Que o mal é a melhor força do homem.
“O homem deve-se fazer melhor e pior”: é isso o que eu predico, pela minha parte! O maior mal é necessário para o maior bem do Super-homem.
Padecer pelos pecados dos homens podia ser bom para o tal pregador dos humildes.
Eu, porém, rejubilo com o grande pecado como minha maior consolação.
Estas coisas não são ditas para a orelhas compridas; e nem toda a palavra convém a toda a boca. Isto são coisas sutis e afastadas: não as devem apanhar patas de carneiros.
VI
Homens superiores: acreditais que estou aqui para fazer bem ao que vós fizestes mal?
Ou que quero daqui por diante deitar mais comodamente os que sofrem? Ou ensinar-vos, a vós, que andais errantes e extraviados e perdidos na montanha, caminhos mais fáceis?
Não! Não! Mil vezes não! É preciso que morram cada vez mais e os melhores da vossa espécie: porque é preciso que o vosso destino seja. cada vez mais rigoroso. Só assim...
Só assim cresce o homem até à altura em que o raio o fere e aniquila! Há suficiente altura para o raio!
A minha inteligência e o meu anelo tendem para o raio, para o durável, para o afastado: que me importaria a vossa mesquinha, comum e breve fraqueza?
Para mim ainda não sofreis bastante. Pois sofreis por vós; ainda não sofrestes pelo homem. Mentiríeis se dissesses o contrário! Vós não sofreis pelo que eu sofri.
VII
Não me basta que o raio já não prejudique.
Não quero desviá-lo; quero que aprenda a trabalhar para mim.
A minha sabedoria acumula-se há muito tempo como uma tempestade; cada vez se torna mais tranquila e sombria. Assim faz toda a sabedoria que há de chegar a engendrar o raio.
Para estes homens de hoje não quero ser nem chamar-me luz. A estes... quero cegá-los. Raio da minha sabedoria, cega-os!

(Adaptação de Frater Lux Messor)

Fonte: eBooksBrasil.com - NIETZSCHE, Friedrish, Assim falava Zaratustra (pág. 450).

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17 de dezembro de 2012

Um Coração Iluminado

UM CORAÇÃO ILUMINADO


AO MERCADOR DE TRÍPOLI - Séc. XIII

Dos confins do deserto o comércio,

Nas cidades das Arábias regozijos.

Destemido te arrisca em rara troca,

Sacrifício em tua face a contemplar.

Desde Trípoli veneziano te tornaste,

Para além mar vosso gozo aplacar,

Os martírios no teu tempo a sanar.


DE TRÍPOLI AO VÊNETO

Galeras venezianas aportavam em Trípoli, no Al-Loubnãn (Líbano), escoltando suas naves comerciais, que com laranjas, algodão e tecidos eu as supria. De tão impressionado com elas fiquei, que desejei de todo coração conhecer o lugar de onde vinham. Minh'Alma ouviu meu coração, e foi a última vez que no Oriente nasci. Então a Europa me recebeu, e minha saga de vidas por lá começou, e continuou.


AO PROFESSOR DE PÁDUA - Séc. XV

Nas cidades o prelado a devoção.

Em oração com joelhos esfolados,

O sacrifício te enobrece o coração.

Desde Pádua até Roma o peregrino,

Do homem ao templo a fundação.

Na donzela o teu voto suspendido,

Deu o tempo ao dilema a solução.


DO VÊNETO AO NEDERLANDS-BRAZILIË

De repente vi-me em Veneza, e senti logo uma culpa a sanar. Em boa família a vocação me tocou, e fui ao seminário me formar, e logo padre me tornei para os pecados espiar. Deus então abriu-me as portas, e em Pádua fui retórica ensinar. A Universidade enviou-me a Roma, e a Vaticana Basílica ajudei a fundar. De tanto orar, perguntei-me o quê havia para além do grande mar. Minha Alma ouviu e no Novo Mundo, na Paranambuca renasci, mas logo voltei e na Europa continuei.


AO GUERREIRO FLAMENGO - Séc. XVII

Desde matas tropicais lá na fazenda,

Sinhozinho negra meiga amamentou.

Paranambuca da moenda até Olinda,

O oceano com Nassau a nau singrou.

Na travessia até Flandres passionado,

Pai capitão que fez a ti armas herdou.

Belígera vida ao Reino consagrado,

Com lealdade a Real Arte em ti velou.


DO NEDERLANDS-BRAZILIË À RUMÉLIA

Ao sentir minha ama preta a me afagar, estava na fazenda a me criar, junto às moendas paranambucanas da Companhia das Índias Ocidentais. Meu pai, capitão flamengo, com Maurício de Nassau aos Países Baixos comigo retornou. Com a idade de 10 anos, a bordo de uma magnífica urca (nau holandesa), o Oceano Atlântico atravessei, e isso para mim foi espetacular. Militar tornei-me e me iniciei na Arte Real, como meu pai. Após terríveis campanhas por toda Europa, perguntei-me o que fazer contra a ameaça Otomana. Minha Alma ouviu, então renasci em plena Guerra da Rumélia (Grécia Otomana), então, pela paz desesperadamente roguei.


AO PAXAZINHO DA RUMÉLIA (1814-1835)

Dos balcanos montes, a cidadela forte,

Mãe de verdes olhos de amor a ti fitar.

Doçura medo tolhe pela ira ao chegar,

Pai de negros olhos bravura a ti cobrar. 

Puro foi à guerra, horror a contemplar,

Na sofrida dor insano ardor a vitimar.

A rufar tambores rios e cones a cruzar,

Esperança amado povo de ti a escutar.

Triste vida águia viva na festa consolar,

Vem a tosse vem a morte, a te assolar.


DA RUMÉLIA AO PAULISTA BRASIL

Não existia um país chamado Grécia, e sim a Rumélia, por onde o Grande Império Otomano na Europa penetrava. Um belicoso Pasha, meu pai, queria-me como herdeiro de armas, levou-me em tenra idade à guerra, na Península que com outros governava. Contudo, frustrei-o ao defender veemente a paz, e por isso me odiava. Não suportei o horror que me foi imposto, e aos 21 anos de idade não resisti, e tísico parti. Uma vida de paz, em uma terra de paz, à minha Alma pedi. Deus seja louvado, pois a luta que era externa tornou-se interna, e aqui onde agora estou, renasci.



AO ARQUITETO DA PAZ (1960-2020)

Na imensa cidade a modesta família,

No bendito fruto a esperança a nutrir.

Na infância tranquila a oculta ciência,

Inquieta a inocência o prelúdio porvir.

Aos mundos estuda, desfruta e refuta,

As ideias incertas ao mundo a sentir.

Dos muitos afetos penetram desnuda,

A encantada nativa ao amor discernir.

Ao sucesso adiado o revés resgatado,

No tempo, no vento, na paz prosseguir.


DO PAULISTA BRASIL À PAZ DO ALÉM

Vislumbrei aos doze anos as ciências secretas e os mistérios do porvir. Desde então, com mente inquieta, por muitas promessas de fé passei, sem nenhuma prosseguir. Contudo, um chamado, um caminho traçado, levou-me ver o passado. Um padre me seguia e um soldado me abria os caminhos a seguir, mas um nobre ou um pobre revezavam o seu influir. Um pastor, um soldado, um menino e um mercado, juntos trouxe todos até mim, a escutar e reunir, para os pecados lavados com a paz contribuir. A colheita então foi feita para a luz no céu fluir.

Dominus Nobiscum.

Frater Lux Messor