Misticismo, Ocultismo, História Secreta, Magia, Psicurgia, Teurgia, Teose, Iniciação

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4 de abril de 2016

No Topo Deste Farol o Cristianismo Nasceu

Farol de Alexandria
(Ptolomeu II, Filadelfo - 279 a. C.)

CRISTIANISMO: Um processo de 700 anos, iniciado pelo Faraó Macedônio-Egípcio Ptolomeu Sóter (323 AEC) e consolidado pelo Imperador Romano Teodósio O Grande (380 EC).


NO TOPO DESTE FAROL

O CRISTIANISMO NASCEU


              
Com o esfacelamento do Império de Alexandre o Grande, duas forças antagônicas se formaram entre dois de seus Generais: Selêuco Nicátor, que iniciou a Dinastia Selêucida na Pérsia, e Ptolomeu Sóter, que iniciou a Dinastia Ptolomaica no Egito.

Assim, Selêucidas e Ptolomaicos passaram a disputar a Faixa Mediterrânea que incluia a Palestina, que ficava na fronteira entre ambos, cada um procurando estabelecer suas zonas de influência, colocando o Povo Judeu ora de um lado, ora do outro.

Sendo os Selêucidas Persas intolerantes com a religião, passaram a perseguir o Judaísmo; enquanto os Ptolomaicos Egípcios, tolerantes, passaram a incentivar a cultura e a Religião Judaica, tendo inclusive patrocinado a versão grega da Bíblia (Septuaginta).

Dessa maneira, o Egito tornou-se o berço de uma nova cultura que, reunindo Oriente e Ocidente em um todo Cosmopolita, criou a Civilização Helenística, tornando Alexandria o maior centro comercial, tecnológico, religioso, cultural e intelectual do período.

Assim, Alexandria passou a abrigar comerciantes, artesãos, sacerdotes, sábios e filósofos de todo o Mediterrâneo, inclusive Judeus, que lá encontraram refúgio, formando a maior comunidade judaica fora da Palestina, num imenso fervilhar de cultura e inovação.

Neste contexto a filosofia grega foi renovada com os Neoplatônicos e Neopitagóricos, e as Religiões Orientais, Egípcia e Judaica com os Hermetistas e Gnósticos, sincretizando todo o conhecimento dos Mistérios Antigos em um só Corpo Doutrinário: o Cristianismo.

Considerando essa hipótese, o processo de formação do Cristianismo, teria então durado cerca de 700 anos (entre os séculos IV AEC e V EC), corroborada pelos fatos a seguir, aparentemente desconexos, mas que poderão ser contundentes se vistos em conjunto:

I

JESUS (nome de homem) e CRISTO (título do ungido) fundiram-se em uma única personalidade religiosa entre os séculos I e IV EC, nas disputas cristológicas da Igreja Primitiva;

II

O nome JESUS é uma corruptela grega do nome hebraico YESHUE, muito comum na Palestina, e há registros históricos de vários rabinos com esse nome, mas nenhum que tenha criado uma nova seita judaica;

III

Há registros históricos, entre os séculos I AEC e I EC, de líderes proféticos bastante populares atuando na Judéia (alguns martirizados), entre eles: Simão o Mago, Honi Ha-Ma'agel, João Batista, Jesus de Ananias, Banus o Eremita, Eleazar o Exorcista, Hanina Ben Dosa, e Menahem o Essênio;

IV

Nos "Manuscritos do Mar Morto" (séc. I EC), que contém os rolos de Isaias mais antigos existente, verificou-se que o mesmo texto no Codex Aleppo (950 EC) contém pelo menos 1.500 alterações e acréscimos em relação ao original; provando que durante as incessantes cópias, durante séculos, houveram adulterações significativas nos textos antigos;

V

Na "Biblioteca de Nag Hammadí" (séc. III EC), há um texto hermético não-cristão chamado "Eugnosto, o Bem Aventurado", e outro texto com o mesmo conteúdo, chamado "A Sophia de Jesus Cristo"; porém, diferenciando-se do primeiro por incluir Cristo e seus discípulos na narrativa; o que sugere que muitos textos Gnósticos Cristãos tem como base textos pagãos (herméticos) mais antigos;

VI

As bases do Cristianismo já são encontradas em Alexandria, no Egito, a partir do século IV AEC, nas comunidades judaico-helenísticas dessa cidade, cuja evolução durante muitos séculos sincretizou em uma única doutrina as Filosofias Neoplatônica (Órfica) e Neopitagórica, as seitas Netzarim (Nazarenos), Terapeuta e Essênia, os Mitos Herméticos (Sérapis), Osirianos (Hórus), Zoroástricos (Mitra), Romanos (Apolo) e Cabalísticos (Messias);

VII

A construção do Cristianismo propriamente começou entre os séculos II e III EC com o Gnosticismo e a Patrística, e foi absorvido pelo Império Romano no século IV EC, por meio do culto ao "Solis Invictus", e instituído no século V EC na figura de "Iesu Christus", perpetuando o Império até nossos dias através da Igreja Romana.

• • •

Juntando-se essa poucas, porém cruciais pistas, podemos vislumbrar que conclusão podemos chegar? 

Será que estamos lidando com o maior mito de todos os tempos em que talvez, somente talvez, o Cristo tenha sido, e é não apenas um, mas muitos homens e mulheres, adeptos das Escolas de Mistérios da antiguidade, inspirados pela Obra da Luz?

E que os Evangelhos sejam na verdade um roteiro concebido pela nata espiritualista de Sábios Alexandrinos do Egito, que sintetiza todo o conhecimento pagão na figura de um maravilhoso mestre, que teria ensinado como podemos alcançar a vida eterna?

Para este assunto, delicadíssimo é de extrema complexidade, pois diz respeita à fé de milhões, que durante séculos norteou os destinos do Mundo Ocidental; faltam-nos a maior parte das peças deste maravilhoso quebra-cabeças, cuja historicidade é extremamente controversa.

À principio, até onde pudemos verificar, havia entre o Egito e a Palestina a seita judaica dos Netzarim (Vigilantes) que, a partir do séc. II AEC, passou a buscar sistematicamente candidatos para o Messias (homem divinizado); finalmente estabelecido na figura lendária de Ribi Yeshwe (Ben Yoseph) Ha-Mashiach, um rabino heterodoxo do séc. I EC, não confirmado historicamente.

Assim, é notável a semelhança das características peculiares de cada profeta popular judaico (registrado historicamente) com as características  de Jesus de Nazaré (cidade que não existia antes do séc. II EC), como a morte na cruz (Menahem o Essênio), retirada de demônios (Eleazar o Exorcista), ou curas milagrosas (Hanina Ben Dosa).

Porém, são os mitos que envolvem Apolônio (Crestus) de Tiana, notável filósofo grego de Éfeso, já fora do contexto judaico, que mais concorreu com os dons de Jesus descritos nos Evangelhos, como a capacidade de ressuscitar os mortos, durante os primórdios da Igreja Romana. Sendo talvez está semelhança, responsável pelo sucesso do Cristianismo no Mundo Grego, antes de Roma.

Ainda sobre a Seita Judaica dos Netzarim, estes se organizaram no séc. I EC em plena Roma, fazendo surgir uma Igreja Judaico-Roma, onde ficaram conhecidos como "Nazarenos"; os membros de uma "seita egípcia" que provocou certo tumulto entre escravos e minorias não romanas, de acordo com Suetônio em sua obra "A Vida dos Doze Césares".

Porém, estes foram suplantados a partir do séc. II EC por membros de outra Seita, porém de origem Grega da Ásia Menor, vinda de Éfeso e Antioquia, que ficaram conhecidos como "Cristãos"; os primeiros a organizar uma Igreja Romana (Católica) e estabelecer a historicidade do mito cristão, tendo por base Pedro.

Todavia, o verdadeiro fortalecimento da fé cristã está justamente na disputa entre pontos de vista muito diferentes sobre as fábulas de Jesus Cristo, entre a Igreja Católica de Roma e as Seitas Gnósticas (termo pejorativo usado pelos Patriarcas alinhados com Roma, como Irineu de Lion); entre elas, o Docetismo.

Esta Seita Gnóstica, que na verdade nunca foi uma seita organizada como igreja, negava a corporeidade de Jesus Cristo, afirmando apenas sua espiritualidade; uma corrente filosófica contrária à tese do "verbo feito carne", antes mesmo da intensificação das Disputas Cristológicas após o séc. II EC, que acabou estabelecida na União Hipostática do Concílio de Calcedônia, em 451 EC.

Finalmente, salientamos que a liturgia eucarística da Igreja Católica Romana foi tomada essencialmente dos Rituais Mitráicos, do séc. IV EC, trazido do Oriente pelas Legiões; quando a versão Romana, da já estabelecida Religião Cristã, era plenamente vitoriosa sobre as seitas Gnósticas, e se preparava para ser oficializada pelo Império Romano, levada a cabo por Teodósio I, o Grande, em 391 EC.

Lembramos ainda que o Gnosticismo sobreviveu nas "Igrejas Cristãs do Oriente" e, a partir do séc. XI EC, voltou a influenciar a Europa Ocidental, formando as várias vertentes do "Cristianismo Esotérico", que influenciou as Ordens Místicas às quais nós Iniciados fazemos parte, e que preservarmos de olhos profanos.

"Que o FAROL QUE NOS ILUMINA DESDE O ALTO, jamais deixe de nos mostrar o Caminho da Verdade."


Cum Lucis Mihi Vici


Frater Lux Messor

27 de dezembro de 2015

As Doze Etapas do Oculto ao Místico

Psiquê & Eros:
O Encontro da Alma com o Espírito, para Uma Nova Criação

As 12 Etapas do

OCULTO AO MÍSTICO


I
                  
As Ciência Oculta trata de despertar as faculdades superiores do homem, para que este perceba e assuma responsabilidade perante sua verdadeira situação em relação à natureza, a divindade, o universo e a si mesmo. O ocultista, procura pesquisar e compreender as forças invisíveis, visando controlá-las e dirigi-las conscientemente em favor da evolução, para que o bem maior da humanidade seja alcançado.

II
                  
Porém, o ocultista, é antes de tudo um teórico que, através de estudos como o Hermetismo, a Alquimia, a Astrologia e a Cabala, procura desvendar os mistérios invisíveis, para depois encontrar os meios de com eles atuar; contudo, são os "magistas", os operadores práticos dos fenômenos de manifestação das forças invisíveis que, para isso, utilizam-se da Magia, da Psicurgia e da Teurgia.

III
                  
O Ocultismo admite duas forças fundamentais aplicáveis à matéria: A primeira, cujo comando verbal é avrah k'davra, é a força involutiva de coesão, densificação, materialização, precipitação ou aglutinação; e a segunda, cujo comando é avadah k'davra, é a força evolutiva de dispersão, sutilização, espiritualização, projeção ou dissolução da matéria. Dessa maneira, a primeira aprisiona e a segunda liberta o Espírito.

IV
                  
Essas forças são aplicadas em diferentes Planos de Existência, que são estados de consciência que condicionam a percepção da realidade pelo ser humano. Enquanto o operador progride em suas habilidades, aprende a vivenciar múltiplas realidades, a fim de nelas atuar. Essas realidades, chamadas de Mundos Internos, vão muito além da percepção da pessoa humana comum.

V
                  
Magia (do Persa, Magi, "sabedoria") é a ciência que estuda os segredos ocultos da natureza e do homem, e o conjunto das práticas ritualísticas e cerimoniais para o domínio destes segredos. Essas práticas, através de evocações (rogas) ou conjurações (exigências) pretendem a manifestação das forças invisíveis, para que estas executem a vontade do operador, sejam elas involutivas ou evolutivas.

VI

As operações mágicas trabalham com os Planos Etérico e Astral, que abrigam as formas subjetivas sustentadas pela energia vital e formadas pelas emoções humanas que, uma vez iluminadas pela Luz Divina, projetam no Plano Físico as formas objetivas que preenchem a realidade humana, construindo todos os objetos, corpos físicos e fenômenos naturais.

VII
                  
Nesses Planos trabalha-se com os Elementais construtores das formas físicas, os Artificiais construídos pelos pensamentos humanos, e os Elementares (Sombras Astrais), provenientes da humanidade desencarnada desprovida da Alma. Todos esses seres seguem sempre a intenção do operador, seja qual for. Já a Assistência Superior nesses Planos provém dos Discípulos da Fraternidade Planetária.

VIII
                  
Psicurgia (do Grego, Psiquê e Ergein, "obra da alma"), é a arte que estuda os segredos ocultos da Alma,seja ela de natureza humana ou não, seu relacionamento com o homem e com Deus, e é também o conjunto das práticas ritualísticas e cerimoniais utilizadas tanto para atrair a Alma, para que atue na realidade humana, quanto para elevar o homem para o nível de consciência da Alma.

IX
                  
A "Operações Psicúrgicas" trabalham com os Planos Mental e Causal, que abrigam as idéias e conceitos dos pensamentos arquetípicos da humanidade. Fazem parte desses Planos os Devas (elementais construtores dos pensamentos), as Almas Grupais dos animais, os Corpos Devacanicos dos humanos adormecidos, e a humanidade desperta na forma de Iniciados e Adeptos da Fraternidade Planetária.

X
                  
Teurgia (do Grego, Theoi e Ergein, "obra divina") é a arte de incorporar a força divina em objetos consagrados e no ser humano, visando a comunhão deste com Deus: mediante estudos, técnicas e cerimônias que evocam a presença de Entidades Espirituais Superiores, sejam Estas de natureza planetária ou cósmica, para que atuem nos Planos da realidade humana e na Alma do homem.

XI
                  
As "Operações Teúrgicas" trabalham com os Planos Espirituais Superiores, sejam terrestres ou celestiais, que abrigam os arquétipos divinos que sustentam a criação, procedem as Causas Primeiras e a Luz Divina. Fazem parte desses Planos os Choans, Budas, Mahadevas, Logos Planetários e Solares, Anjos, Arcanjos, Serafins e outros Grandes Seres da Hierarquia Divina, comprometidos com a humanidade.

XII
                  
Assim, o Ocultista age na natureza com a Magia e atrai a Alma a si com a Psicurgia; porém, Regenerado na Luz da Alma eleva-se à Ela, empreendendo não mais um trabalho OCULTO, e sim MÍSTICO. Então, com a Teurgia rende-se ao Pai Celeste, nasce como Filho de Deus na Pura Essência da Alma e reconcilia-se com Cristo-Lúcifer, reintegrando-se ao Espírito em busca d’O Absoluto. Amém.

Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor

15 de fevereiro de 2015

Felix Natalis Solis

(1) Apollo Helios em El Djem, Tunisia; (2) Halo Solar em Bormio, Italia; (3) Gautama Buddha
(4) Quasar MC2 1635 119; (5) Eclipse Solar em 1999, França; (6) Galáxia Espiral NGC 4622
(7) Lord Krishna; (8) Galáxia Yellow Hoag; (9) Christo Pantocrator em Cefalu, Italia.

FELIX NATALIS SOLIS
Solis Nigri ad Solis Invicti 1


Toda boa resposta depende da formulação de uma boa pergunta, mesmo que estas sejam as mais surpreendentes possíveis. Assim avalio a maneira como O ESPÍRITO de DEUS me respondeu quando indaguei-lhe sobre "o que eu precisava saber" para acelerar meu processo de despertar. Foi então que, motivado em pesquisar o que há de mais secreto, deparei-me com os Irmão do Livre Espírito 2, os Amigos de Deus 3,  Meister Eckhart 4 e Os Sermões Alemães 5. Neste último, encontrei a compreensão sobre as relações entre o ser humano, a Alma e Deus, relações estas que faz nascer o Cristo na Unidade Eterna, brilhantemente descritas por Eckhart nas passagens que transcrevo a seguir:


"Hoje, mesmo vivendo dentro do tempo, celebramos o nascimento eterno no qual Deus Pai nasce
e incessantemente repete este ato de nascer na eternidade, por que este nascimento
do qual falamos é realizado nesta natureza humana e inserido no tempo." (...)

"Discorramos pois de tal nascimento, de como ele pode ser realizado em nós e como ocorre

na pessoa virtuosa sempre que Deus Pai fala a sua palavra eterna na alma perfeita.
Pois tudo aquilo que falarei aqui é para ser entendido do homem
purificado e estável que trilha os caminhos de Deus." (...)

"O Filho do Pai Celeste não nasce isolado nesta escuridão, que é Sua característica:

você também pode nascer como filho do mesmo Pai celestial
e a você também ele encherá de força."
[ Sermão Alemão 1, do dia de Natal ]

Tudo que nasce é devido a um processo criativo. Para Eckhart, Deus Pai nasce na natureza humana através da alma perfeita do homem purificado e estável, que emerge da escuridão pela graça de ouvir a palavra eterna proveniente do Deus Pai, tornando-se assim o próprio Filho do Pai Celeste.

“A pessoa só é Filho de Deus se possuir tudo aquilo que Deus e Seu Filho possuem. (...) Logo, Deus
não poderia ter me feito filho de Deus, se em mim não houvesse a natureza filial de Deus,
nem poderia Deus ter me feito sábio, se eu já não tivesse sabedoria."
[ Sermão Alemão 3 ]

"Quando a vontade se encontra de tal forma unida que ela forma um bloco único, então o Pai Celeste faz
com que nasça Seu Filho único em Si mesmo – dentro de mim. Porque eu estou unido a Ele.
Ele não pode me evitar, e nesta ação o Espírito Santo recebe Seu ser de mim
bem como de Deus. Porque eu me encontro em Deus."
[ Sermão Alemão 9 ]

“Uma vez me perguntaram o que fazia Deus nos céus. Eu disse, Ele está gerando seu Filho, um ato no qual (...)
Lhe é tão agradável, que Ele nada mais faz além de gerar Seu Filho (...). Quando o Pai gera Seu Filho
em mim, eu sou o mesmo Filho e não um outro: claro, somos diferentes em humanidade,
mas aqui eu sou o mesmo Filho e não um outro qualquer.”
[ Sermão Alemão 15 ]

Verificamos assim que esse nascimento ocorre no coração do homem, pois essa filiação é igual à paternidade, e ambas se justificam reciprocamente por si mesmas. Então, Eckhart explica como ocorre o ato criador de Deus na Alma humana, mantendo esta pura e virginal perante Deus, porém frutífera enquanto concebe o Filho na unidade Paterna em meio ao Espírito Santo:

“Há na alma um poder que não está ligado nem à matéria nem ao tempo, que flui e se mantém no espírito,
completamente espiritual. Neste poder Deus está se mostrando em toda alegria e glória que Ele é em
si mesmo. (...) Pois nesta força o Pai eterno está para todo o sempre concebendo seu Filho
eterno incessantemente, de tal forma que esta força concebe o Filho do Pai,
e também ao Filho mesmo, no poder único do Pai.”
[ Sermão Alemão 7 ]

"Uma virgem que já é mulher, está liberta e sem apego: está sempre tão próxima a Deus, quanto de si mesma.
Dá muitos e belos frutos, que são nem mais nem menos que Deus. Ali ela se torna frutífera, e participa
no ato da criação. Pois Jesus, que é a Luz e o esplendor do coração eterno, Jesus
se une à alma, e a alma à Jesus, brilhante com ele numa só unidade,
como uma só luz, pura e brilhante no coração paterno.”
[ Sermão Alemão 6 ]

“Deus em todas as suas obras tem um muito elevado fim em vista, ou seja, Ele mesmo. (...)
Para tal todas as obras de Deus são executadas; e por este motivo, também o Pai
faz nascer Seu Filho na alma, para que todas as forças da alma confluam
em direção a tal. Ele se queda esperando por tudo aquilo que a alma
contém, a todos convidando para a festa em Sua corte."
[ Sermão Alemão 2 ]

Então, eis que Eckhart completa o ciclo de criação, nascimento e unidade, onde o Pai concebe seu Filho, na reunião de todas as suas criaturas num ato de Amor eterno. A primeira resposta é a entrega de si a Deus na Unidade; a segunda, a atração amorosa de todas as criaturas para essa Unidade; e em terceiro, a confirmação da plenitude divina do Pai eterno enquanto faz nascer seu Filho Único, "Eu" e "Você", na Unidade:

"Meus caros amigos, que mal nos pode advir de deixar que Deus em nós entre? Saiamos pois
imediatamente de nós mesmos, por amor a Deus, e Deus prontamente de Si mesmo
sairá por nós! Quando estes dois partirem, o que terá restado é uno e simples.
Neste Uno, o Pai concebe Seu Filho em Sua mais íntima fonte."
[ Sermão Alemão 5 ]

"Pois de tal forma a Natureza Divina é agradável a Deus que Ele a projetou fora de Si, para atrair
os desejos naturais de todas as criaturas. (...) Ele procura atrair a todos de volta para
seu primeiro começo, que é o descanso. Deus ama a Si em todas as criaturas.
Desta forma Ele procura Seu próprio amor em todas as criaturas (...)."
[ Sermão Alemão 17 ]

"Deste Deus, o Pai eterno recebe a plenitude e profundidade de toda Sua divindade. (...)
Permanece sempre Uno, e continuamente se represa em si mesmo. “Ego”, a palavra “Eu”
a ninguém pode ser dirigida senão a Deus em Sua unidade. “Vós”, a palavra que
quer dizer “Você”, que é você na unidade, de forma que “ego” e “vós”,
eu e você, signifiquem uma só unidade.”
[ Sermão Alemão 12 ]

Assim, concebi dois esquemas que seguirão na próxima postagem: o primeiro, conceituando um ponto de vista com base na Teosofia e no Gnosticismo Cristão, onde o processo de Criação Divina (do Sol Negro) e até a apoteose Crística (do Sol Invencível), são descritos em um ciclo contínuo de sete fazes; e o segundo, sintetizando os ensinamentos de Eckhart, como descrito acima: "Minhas interpretações pessoais sobre a Natalidade do Cristo Sol  (e do mito do Homem Deus) presente secretamente em todas as Religiões e Escolas de Mistérios antigas, inclusive no que conhecemos por Cristianismo."


Felix Natalis Solis

(Feliz Nascimento Solar)


Frater Lux Messor
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1 O Aniversário do Sol – do Sol Negro ao Sol Invencível (tradução do Latim), de "Solis Invictus" – Título religioso originalmente identificado ao deus Mitra, introduzido em 270 d.C., pelo imperador Aureliano como culto oficial do Sol Invicto, fazendo do Deus Sol a primeira divindade do império. O culto continuou como base da religião oficial de Roma até o triunfo da cristandade. Antes da sua conversão, o imperador Constantino I tinha o Sol Invicto como a sua cunhagem oficial.

2 Irmãos do Livre Espírito – movimento leigo cristão dos séculos 13 e 14, ocorrido no norte da Europa, de características Antinomianas e individualistas, semelhante ao dos Amalricianos. Entrou em conflito com a Igreja Católica e foi declarado herético pelo Papa Clemente V no Concílio de Vienne (1311-1312). Suas idéias gerais seguem as de João Escoto Erígena (século IX), Joaquim de Fiore (século XII) e Amaury de Bene (falecido em 1207). Como outros movimentos da época, o Livre Espírito promoveu um ideal de pobreza mas no sentido de purificar o homem, ressuscitando nele o Cristo e assim sua capacidade de pecar, fazendo-o entrar numa era de "Livre Espirito" e bem-aventurança terrena. Segundo a Inquisição, seus seguidores passaram a fundir o espírito de caridade com o amor carnal, justificando assim a perseguição pela Igreja.

3 Amigos de Deus (em alemão: Gottesfreunde) – foi um grupo de leigos místicos medievais surgido entre 1339 e 1343 em Basileia, e relevante em Estrasburgo e Colónia (zonas sob o interdito papal que na época impedia a formação de novas Ordens Religiosas). Considerado o centro do Misticismo Alemão, foi liderado por Johann Tauler e Henry Suso, dois membros da Ordem Dominicana. Sob a liderança do leigo Rulman Merswin, a reputação do grupo junto à Igreja deteriorou-se rapidamente. Depois da sua morte, Nicolau de Basileia tornou-se seu líder e acabou queimado na fogueira em 1409, juntamente com outro proeminente membro, Martinho de Mainz, ambos acusados de heresia. Após o insidente, aparentemente o grupo desapareceu, absorvido pela Ordem dos Cavaleiros Teutônicos. O nome "Amigos de Deus" é em alusão ao Evangelho de São João 15:15: "Nãos mais vos chamarei servos, pois os servos não sabem o que faz o seu Senhor; mas vos chamarei amigos, pois que tudo o que ouvi de meu Pai eu vos ensinei."

4 Eckhart de Hochheim (nascido em 1260 em Tamback, na Turíngia) – mais conhecido como Meister Eckhart em reconhecimento ao título acadêmico obtido durante sua estada na Universidade de Paris, foi um frade dominicano, conhecido por suas obras com interpretações teológicas peculiares, proeminente pensador da filosofia medieval alemã dentro da corrente mística neo-platônica e agostiniana; acusado de heresia, sem contudo jamais ter saído de seus referenciais cristãos, reafirmou sua ortodoxia na sua defesa, sendo somente condenado após seu desaparecimento em Colonia, por volta de 1328. Cogita-se que passou a viver na clandestinidade tendo formando, juntamente com seus discípulos, os "Amigos de Deus".

5 Os Sermões Alemães (de Meister Eckhart) – tradução de Marcos Beltrão (textos na íntegra: acesse aqui).

Obs.: Base das notas de 1 a 4: Wikipedia.

29 de janeiro de 2015

Ave Gratia Plena

"A VIRGEM E OS ANJOS" ( Bouguereau, 1900)

AVE GRATIA PLENA, DOMINUS TECUM
Salve, ó cheia de graça, o Senhor está convosco (Lucas 1:28)

Por Meister Eckhart
(Sermão Alemão 24) 1 


Este texto que citei do latim pode ser encontrado no Evangelho Sagrado e quer dizer em português: "Salve a Ti, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!" O Espírito Santo descerá de cima, do mais elevado trono, e virá até ti proveniente da luz do Pai Eterno. Aqui, nós podemos compreender três coisas. A primeira delas é a humildade da natureza angélica, a segunda é que ele se sabia indigno de nomear a mãe de Deus, e o terceiro que ele não se diria tão somente a ela, mas a toda uma grande multidão, a saber, toda boa alma que deseja a Deus.

Agora eu digo que se Maria não tivesse em primeiro lugar dado à luz a Deus espiritualmente, não o teria o feito fisicamente também.

Uma certa mulher disse para Nosso Senhor: "Bem aventurado o ventre que te concebeu" (Lucas 11:27). Ao que Nosso Senhor replicou: "Bem aventurado não somente o ventre que Me concebeu: bem aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a seguem." É mais elevado que Deus nasça espiritualmente na virgem individual (leia-se aqui em toda boa alma) que fisicamente em Maria.

Com isso, devemos compreender que somos o filho único a quem o Pai está eternamente criando. Quando o Pai criou todas as criaturas, Ele criou a mim, e eu fui criado junto com todas as criaturas, enquanto que permanecendo dentro do Pai. É o que estou a dizer agora: primeiro nasce dentro de mim, então eu amadureço aquele estado, e em seguida eu o falo, e todos vocês o ouvem. E contudo isso está em mim e tempo todo. De forma semelhante, eu permaneço no Pai. No Pai é que estão as imagens primordiais de todas as criaturas. Este pedacinho de madeira que aqui está, tem em si uma imagem racional em Deua. Não apenas isto é racional, isto também é razão pura.

O maior bem que Deus jamais fez ao homem, foi Ele mesmo se tornar homem. (...)

(Trecho final):

"Quando Deus criou a alma, Ele a criou de acordo com Sua perfeitíssima natureza, de forma tal que ela pudesse ser a noiva de Seu Filho único, que sabendo muito bem disto, decidiu sair dos aposentos particulares de Sua paternidade eterna, onde Ele está perenemente dormindo quieto dentro de nós. No primeiro começo da pureza primordial, o Filho se colocou na tenda da divina glória eterna, e se adiantou a partir do mais sublime, de forma que pudesse elevar Seu amado, o Pai, com quem se casou para todo o sempre, e trazê-Lo de volta ao lugar onde se tinha originado. E em um outro lugar Ele diz: "Eis que teu rei está vindo até ti!" (Zach. 9:9). Por isto, ele se adiantou e veio exultante, como um jovem na força da idade, e sofreu as dores do amor. Ele não mais sairia, exceto se movido pelo desejo de retornar à sua câmara nupcial, junto de sua noiva. Esta câmara é a escuridão silenciosa da paternidade oculta. Quando Ele se adiantou desde o mais elevado, queria mostrar o mistério oculto de sua essência divina secreta, onde Ele se encontra em descanso consigo mesmo, e com todas as criaturas.

"In principio": isto quer dizer, traduzindo a expressão, "o começo de todo ser", como eu já disse nas escolas. Mas disse mais do que isto: é também o fim de todo ser, pois que o primeiro começo vem, para que o fim último possa chegar. De fato, Deus mesmo ali não descansa, ali onde está desde "o primeiro começo". Ele é um fim e um repouso para todos os seres, no fim último de sua perfeição total. O que é o fim último? É a escuridão oculta da Essência divina e eterna, que é desconhecida, e para sempre o será. Deus ali mora, não-conhecido em Si mesmo, à luz do Pai eterno."


Que a nós possa chegar esta Verdade e que possa ela nos ajudar.


Amém.

Meister Eckhart

(Adaptação de Frater Lux Messor)

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1 Os Sermões Alemães (de Meister Eckhart) – tradução de Marcos Beltrão (textos na íntegra: acesse aqui).

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A Geração do Filho Único de Deus Pai e da Mãe Divina

"O ATHANOR MICROCÓSMICO":

A "Face Interna da Alma" reflete a imagem de Deus Pai Criador, que se auto-contempla na totalidade de suas criaturas. Já a "Face Externa da Alma" sempre permanece pura na eternidade, junto ao Espírito, onde nasce o Filho na glória e unidade de Deus.

3 de julho de 2014

Natalis Solis Invicti


O ATHANOR MACROCÓSMICO representa o "Ciclo Contínuo de Nascimento do Sol Invencível" a partir do Sol Negro, a matéria virgem que sustenta toda a Criação; expressa as sagradas relações entre o PAI, a MÃE e o FILHO de DEUS segundo a Igreja Primitiva, obscurecidos pelos dogmas da fé estabelecidos pelos muitos concílios eclesiásticos desde o fim da antiguidade, quando o cristianismo e o paganismo ainda se confundiam.



O NASCIMENTO DO SOL INVENCÍVEL
Da Criação do Sol Negro até a Apoteose do Sol Invencível


O CICLO CONTÍNUO DO NASCIMENTO DO SOL INVENCÍVEL:
Nas palavras de Meister Eckhart: "O nascimento eterno no qual Deus Pai nasce 
e incessantemente repete este ato de nascer na eternidade..."
[ Sermão Alemão 1, do dia de Natal ]




 

Explicação  dos  Elementos  do  Athanor  Cósmico


O SOL NEGRO
A DEUSA MÃE eclipsa a Luz de DEUS PAI, construindo com sua Sombra A ALMA, o vazio desprovido de substância divina, o Espaço Virginal provido de Matéria Primordial, reservatório potencial de toda sabedoria, imagem e criatura reveladora do DEUS CRIADOR.



O SOL AUTOGERADO
A DEUSA MÃE concebe seu FILHO, autogerado e autocentrado no vazio do seu Ventre Materno e Virginal, o Deus Cego que nada enxerga maior que SI mesmo; DEUS CRIADOR do Tempo, do Céu, da Terra e da Vida, SOL portador da Luz cujo propósito é iluminar o Abismo.



O SOL CRIADOR
O DEUS CRIADOR e autogerado, SOL Sem Sombra, contemplador do abismo, emana de Si a Luz que ilumina as camadas horizontais da ALMA, que por sua vez refletem toda criatura, imagem e sabedoria, cujas vidas revelarão Tudo Que O DEUS CRIADOR Foi, É e poderá Ser.



O SOL CRUCIFICADO
O DEUS CRIADOR se autorrevela, identificando-Se com suas criaturas, imagens e sabedoria refletidas pela ALMA, fazendo surgir a Consciência de sua Filiação Divina, mediante a expansão vertical desta Consciência através das camadas da ALMA, em busca de DEUS PAI.


O SOL TRANSFORMADOR
O DEUS CRUCIFICADO percebe o propósito de seu trabalho enquanto aperfeiçoa a Forma, prolifera a Vida e expande a Consciência; fazendo com que toda Criação gire à sua volta, varrendo todas as imagens contidas na superfície interna da ALMA, para sua Libertação.



O SOL SUSTENTADOR
O DEUS TRANSFORMADOR passa a sustentar todas as suas criações, imagens e sabedoria acumulada nas Eras e, dessa maneira, reger a ordem estabelecida em seu microcósmo, fazendo todos os mundos criados orbitarem em perfeito equilíbrio e harmonia à sua volta.



O SOL INVENCÍVEL
O DEUS SUSTENTADOR passa então a se expandir, fazendo submergir todas as suas criações, imagens e sabedoria na Luz da sua UNIDADE, nascendo assim o DEUS FILHO, que surge da superfície externa da ALMA, pura e divina, que jamais deixou de fitar a DEUS PAI.


ʘ
Deus, o ponto diferenciado do Espírito, cria o Círculo da Alma, vazia de Espírito.

Ɵ
Deus reflete sua imagem na superfície interna da Alma, povoando-a com suas criaturas.

●
O Filho nasce na unidade do Pai, absorvendo todas as criatura, pronto para nova criação.


Cum Lucis Mihi Vici

Frater Lux Messor